FOLHAPRESS
O dólar recua nesta segunda-feira (21), acompanhando a baixa dos preços do petróleo no exterior e o cenário eleitoral brasileiros.
O recuo nas cotações da commodity reduz os temores de alta da inflação e dos juros no mundo e alimenta o apetite dos investidores por ativos de mercados emergentes, como o Brasil.
No ambiente doméstico, pesquisas presidenciais que apontam empate técnico entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) também estão no radar dos investidores e influenciam a percepção sobre uma possível alternância de poder e uma nova política fiscal.
Por volta das 15h30, a moeda americana recuava 0,74%, a R$ 5,106. No mesmo horário, a Bolsa avançava 0,79%, a 186.705 pontos.
“O comportamento do petróleo continua relevante porque uma permanência da commodity em níveis elevados pode aumentar as pressões inflacionárias e limitar a margem dos bancos centrais para flexibilizar a política monetária. Por outro lado, uma redução consistente do prêmio de risco geopolítico alivia parte dessa pressão e melhora o ambiente para os ativos de risco”, diz William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue.
Na mínima, o barril de Brent, referência mundial da commodity, com vencimento em novembro, recuou 3,5%, a US$ 100,22. O petróleo WTI (West Texas Intermediate), usado nos EUA, chegou a cair a US$ 91,60, desvalorização de 4,66%.
A queda ocorre em meio à maior expectativa entre analistas de uma possível trégua no conflito no Oriente Médio e à normalização do tráfego no estreito de Hormuz, via marítima por onde escoava cerca de 20% do petróleo e do gás consumidos no mundo.
Nos mercados globais, assim como no Brasil, a baixa do petróleo tem impacto positivo. Nos EUA, S&P 500, Dow Jones e Nasdaq avançam 1,45%, 0,74% e 2,17%. As rentabilidades do Treasuries, títulos do Tesouro americano, de 2, 10 e 30 anos, recuam em bloco. A queda dos rendimentos ocorre quando os preços dos títulos sobem, já que os dois têm relação inversa.
Nos últimos dias, o presidente dos EUA, Donald Trump, sinalizou estar aberto a um encontro com o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, nesta semana. A autoridade de Teerã deve estar em Nova York para a Assembleia Geral das Nações Unidas.
O Irã também indicou a mediadores sua disposição para retomar as negociações, segundo a Al Jazeera, que citou o chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Mohsen Rezaei.
Essa expectativa por negociações, contudo, contrasta com sinais de escalada do conflito. No sábado (19), os arredores do principal aeroporto de Riad, capital da Arábia Saudita, foram atacados e uma densa coluna de fumaça foi vista. Os houthis, grupo do Iêmen apoiado pelo Irã, reivindicaram a autoria da ofensiva.
Além disso, os EUA anunciaram nesta segunda-feira que todas as companhias aéreas iranianas terão suas operações interrompidas a partir desta quarta-feira (23).
O cenário eleitoral também se mantém no radar dos investidores. Pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta segunda-feira (21) mostra o presidente Lula (PT) com 40% das intenções de voto no primeiro turno, ante 37% do senador Flávio Bolsonaro (PL). No segundo turno, Lula aparece com 46%, contra 45% de Flávio. Os dois cenários configuram empate técnico, considerando a margem de erro de dois pontos percentuais.
Na semana passada, pesquisa Datafolha mostrou Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) também empatados tecnicamente no primeiro turno, com 39% e 36%, respectivamente. No segundo turno, os dois mantiveram o empate técnico da rodada anterior, com 46% para o presidente e 44% para o senador.
“O fator determinante tende a ser o cenário eleitoral. Conforme o mercado altera sua percepção sobre a trajetória fiscal e sobre o espaço para juros mais baixos no Brasil, esse componente doméstico pode prevalecer em determinados momentos sobre as pressões externas e puxar o dólar para baixo”, diz Leonardo Mendes, consultor financeiro da Manchester Investimentos.
Parte dos analistas avalia que Flávio tem um discurso mais alinhado à disciplina fiscal do que Lula. O senador afirma que, se eleito, fará um ajuste fiscal, com redução de despesas e de impostos.
Uma percepção de maior controle sobre a trajetória da dívida pode reduzir o prêmio de risco exigido pelos investidores para financiar o governo e, consequentemente, aliviar a pressão sobre a curva de juros.
Juros mais altos encarecem o crédito para empresas e consumidores e reduzem a expectativa de lucros das companhias, o que tende a pesar sobre a Bolsa. Ao mesmo tempo, uma maior percepção de risco pode reduzir a demanda por ativos brasileiros e pressionar o real.
Durante a semana, o mercado estará atento a encontros e discursos na Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas). O presidente Lula irá discursar no evento, que começa nesta terça-feira (22).
Ainda no ambiente internacional, Trump e Xi Jinping se reúnem em Washington. O líder chinês chega aos Estados Unidos na quarta-feira (23), e o encontro com o presidente americano está previsto para quinta-feira (24). As autoridades devem discutir temas como inteligência artificial e comércio entre os dois países.
Na terça-feira (22), será divulgada a ata do Copom (Comitê de Política Monetária), do Banco Central, que deve detalhar o balanço de riscos considerado pela autarquia diante do cenário externo.
Ainda no ambiente doméstico, na sexta-feira (25) será divulgado o IPCA-15 de setembro, considerado uma prévia do IPCA, principal indicador de inflação do país.
Dólar cai e Bolsa sobe com petróleo em baixa e cenário eleitoral no radar
Por volta das 12h30, a moeda americana recuava 0,68%, a R$ 5,109. No mesmo horário, a Bolsa avançava 0,51%, a 186.176 pontos
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