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Economia

Dólar bate R$ 5 após reportagem vincular Daniel Vorcaro e Flávio Bolsonaro

Moeda norte-americana dispara após publicação sobre Flávio Bolsonaro e sobe quase 2% em meio a pressão externa e tensão política

Redação Jornal de Brasília

13/05/2026 16h57

Foto: Vanderlei Almeida/AFP

MATHEUS DOS SANTOS
FOLHAPRESS

O dólar dispara quase 2% nesta quarta-feira (13) depois de o The Intercept Brasil publicar que o candidato presidencial Flávio Bolsonaro (PL) negociou com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro o pagamento de R$ 134 milhões para bancar um filme sobre Jair Bolsonaro.

A reportagem obteve documentos que mostram envolvimento direto de Flávio com o dono do Banco Master. Questionado pelo The Intercept Brasil durante uma entrevista coletiva sobre a informação, Flávio afirmou que é “mentira”.

Por volta das 15h30, a moeda norte-americana subia 1,69%, a R$ 4,976. Na máxima, o dólar chegou a R$ 5,004, alta de 2,26%.

No mesmo horário, a Bolsa de Valores brasileira caía 1,58%, a 177.475 pontos.

O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) disse à coluna de Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo, que vai entrar com uma representação na PF (Polícia Federal) e outra na PGR (Procuradoria-Geral da República) pedindo a prisão preventiva do senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro.

Para Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, a queda da Bolsa tem a ver com a notícia. “Assunto Master é um assunto muito ligado à percepção de corrupção no Brasil e até agora não vinha sendo associada explicitamente à família Bolsonaro”.

André Galhardo, economista-chefe da Análise Econômica, a reportagem tende a dificultar candidatura de Flávio. “Há componentes externos também, como o índice de preço ao produtor americano vir mais forte que o esperado, na máxima mensal desde 2022. […] Mas o estresse do dólar na parte da tarde podemos atribuir, sim, a questões domésticas”.

Segundo pesquisa presidencial Genial/Quest, divulgada nessa quarta-feira (13), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece numericamente à frente de Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno, com 42% das intenções de voto, contra 41% do filho do ex-presidente. Brancos, nulos e quem diz que não vai votar vão a 14%, e indecisos, 3%. Na rodada anterior, de abril, o filho de Jair Bolsonaro registrava 42% das intenções de voto, e Lula, 40%.

O petista também aparece à frente na simulação da primeira etapa, com 39%, enquanto o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tem 33%. Brancos, nulos e declarações de que não vão votar somam 10%. Indecisos são 5%.

O dia também é marcado por dados inflacionários dos EUA acima do esperado elevando as previsões de juros mais altos no país e fortalecendo a moeda norte-americana, o que pressiona moedas de mercados emergentes, como o real.

O pregão traz uma sensação de déjà vu. Isso porque, assim como na véspera, dados inflacionários voltam a pressionar o mercado e a gerar maior aversão a ativos de risco.

Nessa quarta, o Escritório de Estatísticas do Trabalho do Departamento do Trabalho divulgou que o índice dos preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) aumentou 1,4% em abril. O avanço foi bem superior do que a projeção dos economistas consultados pela Reuters, que previam alta de 0,5%. A alta foi o maior desde março de 2022.

Os dados se somam a divulgação do CPI (índice de preços ao consumidor, na sigla em inglês) de abril, divulgados na terça-feira (12). O indicador, que mede os preços pagos pelas famílias em itens como alimentação e saúde, avançou para 3,8% no mês, seu maior nível em três anos.

Para Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, o relatório reforça o cenário de inflação persistente nos EUA e aprofunda o dilema do Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA).

“O repasse dos custos de energia para os preços no nível do produtor está claramente em curso -e o risco é que esse movimento continue se espalhando para consumidores finais, à medida que empresas repassam pressões de logística e insumos”.

Leonel Oliveira Matos, analista de inteligência de mercados da StoneX, afirma que os dados mostram uma inflação aquecida nos EUA, o que sugere pressão sobre os preços repassados ao consumidor nos próximos meses.

“Isso reduz bastante a possibilidade de corte de juros no curto prazo. […] A ideia de que as taxas americanas permanecerão elevadas por mais tempo favorece o rendimento dos títulos do Tesouro americano, ajuda na atração de capital externo para os Estados Unidos e fortalece o dólar globalmente, pressionando moedas emergentes como o real”.

Durante a manhã, o rendimento dos títulos do Tesouro americano com vencimento em 10 anos atingiram os níveis mais altos desde julho de 2025, ao chegar a 4,48%.

O pano de fundo da alta inflacionária do país é a guerra do Oriente Médio. O conflito pressiona as cotações do petróleo a adiciona incertezas as cadeias globais de insumos.

Além do efeito nos combustíveis, há o temor de repasses para produtos como alimentos, já que o diesel é um dos insumos da cadeia produtiva. O transporte de fertilizantes, outra matéria-prima do agronegócio, também tem sido afetado pela guerra.

Nessa quarta-feira, o presidente dos EUA, Donald Trump, chegou à China, onde se reunirá com o líder chinês, Xi Jiping. Eles deverão discutir assuntos considerados sensíveis, incluindo a guerra no Irã.

A resolução do conflito permanece distante. Na segunda-feira, o presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que o cessar-fogo no Oriente Médio “respira por aparelhos”, após rejeitar a contraproposta do Irã para encerrar a guerra.

No mesmo dia, Teerã disse que não há solução a não ser a sua para o fim da guerra. Segundo Mohammad Bagher Ghalibaf, presidente do Parlamento iraniano e principal negociador do país, “não há alternativa a não ser aceitar os direitos do povo iraniano tal como estão expostos na proposta de 14 pontos. Qualquer outra abordagem será infrutífera e resultará em um fracasso após o outro”.

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