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Economia

Dólar avança e Bolsa tem forte queda com Oriente Médio e cenário eleitoral no radar

Às 12h, a moeda norte-americana avançava 0,52%, cotada a R$ 5,027

Redação Jornal de Brasília

22/05/2026 13h32

Foto: Reprodução

FOLHAPRESS

O dólar está em alta nesta sexta-feira (22), acompanhando a tendência no exterior, com investidores atentos às negociações entre Estados Unidos e Irã para encerrar o conflito que já dura mais de dois meses.

No Brasil, o mercado aguarda a divulgação da nova pesquisa Datafolha, o primeiro grande teste eleitoral realizado após o vazamento dos áudios do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para Daniel Vorcaro, dono do banco Master.

Às 12h, a moeda norte-americana avançava 0,52%, cotada a R$ 5,027. Já a Bolsa recuava 1,5%, a 174.971 pontos.

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou nesta sexta que as conversas com o Irã tiveram algum avanço e que o contato com os mediadores paquistaneses segue constante, mas ainda há trabalho a ser feito.

“Houve algum progresso. Eu não exageraria. Eu não o diminuiria”, declarou Rubio a repórteres após uma reunião de ministros da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) na Suécia.

“Há mais trabalho a ser feito. Ainda não chegamos lá. Espero que cheguemos lá.”

A principal preocupação, segundo ele, segue sendo uma arma nuclear em posse do Irã e o enriquecimento de urânio no país. A reabertura do Estreito de Hormuz também precisa ser debatida com profundidade, afirmou.

“Estamos lidando com um grupo de pessoas muito difícil e, se isso não mudar, o presidente [Donald Trump] deixou claro que tem outras opções. Ele prefere a opção negociada e ter um bom acordo, mas ele mesmo expressou sua preocupação de que talvez isso não seja possível. Mas vamos continuar tentando.”

No contexto da reunião da Otan, Rubio afirmou que os Estados Unidos não pediram ajuda para reabrir Hormuz. Mas é preciso ter um plano B, disse ele, caso o Irã se recuse a reabrir a rota marítima, responsável por 20% de todo o fornecimento global de petróleo e gás natural.

Uma pessoa ligada ao regime iraniano confirmou à agência de notícias Reuters que as diferenças haviam sido reduzidas, mas a discussão sobre Hormuz e o programa nuclear iraniano seguem como pontos de atrito.

Os investidores se mostram descrentes com a assinatura de um acordo nos próximos dias e, por isso, o preço do petróleo voltou a subir nesta sexta. O Brent, referência internacional, ronda o patamar de US$ 104 o barril. Já o WTI (West Texas Intermediate), referência dos EUA, avança para US$ 97.

“Estamos chegando ao final da 12ª semana, seis semanas de cessar-fogo, e não estou realmente convencido de que estamos mais próximos de uma resolução entre os EUA e o Irã”, afirmou Tony Sycamore, analista de mercado da IG.

A pressão sobre as cotações do petróleo aumenta as incertezas sobre as cadeias globais de insumos, que podem catalisar um repique inflacionário global e, por consequência, manter as taxas de juros de algumas das principas economias do mundo em patamar restritivo por mais tempo. O conflito já tem aparecido nas projeções de política monetária do Brasil e dos Estados Unidos.

O Fed (Federal Reserve, banco central norte-americano) manteve a taxa de juros entre 3,5% e 3,75% em abril pela terceira reunião consecutiva, citando incertezas com a guerra. No Brasil, o Copom (Comitê de Política Monetária, do Banco Central) reduziu a Selic para 14,5% ao ano, mas evitou sinalizar cortes futuros.

Internamente, investidores seguem atentos aos desdobramentos do caso que liga Flávio Bolsonaro ao ex-banqueiro do Master, Daniel Vorcaro, atualmente preso.

Na última semana, o site Intercept Brasil revelou que Flávio pediu dinheiro ao ex-banqueiro para financiar o filme “Dark Horse”, com um aporte de R$ 61 milhões de Vorcaro. A Folha de S.Paulo e o próprio Flávio confirmaram as mensagens —o senador negou ter recebido ou oferecido vantagens por conta disso.

Flávio revelou ter visitado Vorcaro depois da primeira prisão do ex-banqueiro, no fim de 2025. Em entrevista, o senador afirmou que procurou Vorcaro para colocar “um ponto final” no envolvimento entre os dois.

A Polícia Federal suspeita que recursos ligados a Vorcaro foram utilizados para financiar despesas do ex-deputado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos —onde ele reside desde fevereiro de 2025. Eduardo e Flávio negam.

O Datafolha publica nesta sexta uma nova pesquisa sobre a corrida eleitoral, a primeira de grande porte desde o escândalo envolvendo o senador, principal candidato da oposição. A pesquisa pode mexer com a percepção de risco político em um momento em que o mercado monitora de perto os rumos da eleição.

Flávio tem perdido força nas pesquisas eleitorais publicadas desde que os áudios vieram à tona. “A probabilidade de alternância de governo está ficando um pouco mais distante, segundo a leitura do mercado, e isso está provocando a queda da Bolsa e a alta do dólar”, diz Rodrigo Moliterno, chefe de renda variável da Veedha Investimentos.

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