FOLHAPRESS
O dólar está em alta nesta segunda-feira (29), dia de liquidez reduzida por conta do jogo da seleção brasileira de futebol na Copa do Mundo.
O Brasil enfrenta o Japão às 14h (horário de Brasília), e o baixo volume de operações nesta manhã já reflete a expectativa pelo confronto. No exterior, os mercados estão embalados pela suspensão de hostilidades entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio, após o final de semana ser marcado por uma nova troca de ataques.
Às 11h16, a moeda norte-americana avançava 0,29%, cotada a R$ 5,182. Já a Bolsa tinha perdas de 0,16%, a 173.002 pontos.
Ataques mútuos entre EUA e Irã no final de semana colocaram em xeque o frágil acordo para pôr fim ao conflito. A escalada militar aconteceu após um projétil de suposta origem iraniana atingir um navio de carga no Estreito de Hormuz, na quinta-feira.
Na sequência, a emissora estatal IRIB, do Irã, relatou que explosões foram ouvidas em Sirik, no sul do país, sem fornecer mais detalhes. A autoria foi assumida pelos norte-americanos no final de semana, e o presidente Donald Trump chegou a afirmar no sábado que o Irã “não existirá mais” se os EUA decidirem intensificar seus ataques.
A Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter realizado ataques contra o Kuwait e o Bahrein, pelas ofensivas dos EUA no território iraniano, alertando que qualquer nova agressão receberia uma “resposta esmagadora”.
No domingo, porém, uma autoridade norte-americana afirmou que os dois países haviam concordado em suspender as hostilidades e retomar as negociações.
Washington e Teerã assinaram em 17 de junho um memorando de entendimento de 14 pontos com o objetivo de encerrar a guerra de quatro meses. Pelo acordo, os dois lados concordaram em cessar os ataques e reabrir o estreito de Hormuz.
O fechamento da via marítima fez os preços do petróleo dispararem para mais de US$ 100 (R$ 516) por barril, provocando uma nova alta da inflação global e criando um problema político para Trump, ao elevar os preços dos combustíveis poucos meses antes das eleições legislativas de meio de mandato.
O acordo abre caminho para 60 dias de negociações mais aprofundadas sobre questões mais delicadas, como o programa nuclear iraniano, embora os dois lados tenham apresentado versões divergentes sobre o que foi efetivamente acertado.
Nesta sessão, o barril do petróleo Brent, referência internacional, exibia ganhos de mais de 1%, cotado a US$ 73. “A troca de ataques aumentou a percepção de risco geopolítico e, por consequência, o prêmio incorporado aos preços da commodity”, diz Bruno Cordeiro, analista de inteligência de mercado da StoneX.
“Por outro lado, a suspensão temporária dos ataques reduziu os temores de uma escalada mais intensa e limita ganhos maiores do petróleo nesta sessão. Assim, embora os preços sigam negociados em patamares mais elevados, o mercado também encontra algum alívio diante da perspectiva de um cessar-fogo temporário e da retomada das discussões diplomáticas, fatores que ajudam a moderar o movimento de alta das cotações.”
O dólar, por outro lado, recua ante as principais divisas globais. O índice DXY, que o compara a uma cesta de seis moedas fortes, caía 0,19%, a 101,17 pontos.
O movimento no Brasil, segundo analistas ouvidos pela reportagem, descola do exterior por conta da baixa liquidez do mercado doméstico. A seleção brasileira enfrenta o Japão na Copa do Mundo às 14h, durante o período de negociações, o que reduz o volume de operações na sessão.
Mais cedo, o boletim Focus divulgado pelo Banco Central mostrou que a mediana das projeções dos economistas para o dólar no fim deste ano seguiu em R$ 5,20. A expectativa para a taxa Selic no fim de 2026 segue em 14% e, para dezembro de 2027, em 12%.
Atualmente a Selic está em 14,25% ao ano, bem acima das taxas praticadas em países como EUA e Japão, e este diferencial de juros vinha sendo apontado nos últimos meses como um fator favorável à atração de dólares para o Brasil.