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Economia

Dólar avança e Bolsa oscila em sessão volátil, com EUA e guerra no Irã no radar

Às 13h52, a moeda tinha ganhos de 0,58%, a R$ 5,276, depois de ter recuado para R$ 5,218 pela manhã

Redação Jornal de Brasília

13/03/2026 15h55

Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

FOLHAPRESS

O dólar está em alta nesta sexta-feira (13), dando continuidade à forte disparada da véspera enquanto investidores seguem com o conflito no Oriente Médio no radar.

Leilões do BC (Banco Central) e o início de uma investigação comercial dos Estados Unidos sobre trabalho forçado em 60 países, incluindo o Brasil, também influenciam nas negociações.

Às 13h52, a moeda tinha ganhos de 0,58%, a R$ 5,276, depois de ter recuado para R$ 5,218 pela manhã.

Já a Bolsa tinha oscilação positiva de 0,03%, a 179.341 pontos, também em pregão de elevada volatilidade. Na máxima, chegou a 180.995 pontos.

A guerra no Irã segue norteando as decisões de alocação dos investidores. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que, se necessário, o país escoltará embarcações pelo Estreito de Hormuz, canal por onde passam 20% de todo petróleo e gás do mundo.

Ele acrescentou, porém, que espera que os esforços da guerra sejam bem-sucedidos, prometendo em entrevista à Fox News “atacar o Irã com muita força na próxima semana”.

O governo Trump também emitiu uma isenção de 30 dias para que países comprem produtos petrolíferos da Rússia, que enfrenta sanções desde o início da guerra da Ucrânia. As medidas visam aliviar os preços do petróleo, em disparada desde que os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã começaram.

Para o mercado, os temores são de uma disrupção prolongada no mercado de energia —e, sobretudo, sobre como os efeitos da alta da commodity poderão afetar a inflação global e a trajetória das taxas de juros.

“A disparada do petróleo tem provocado uma reprecificação das expectativas para a política monetária nos Estados Unidos, com o mercado adiando de julho para setembro o início do ciclo de cortes de juros pelo Federal Reserve, ao mesmo tempo em que os rendimentos dos Treasuries voltam a subir”, diz Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad.

Apesar das medidas, o petróleo voltava a apresentar ganhos firmes nesta sessão. O barril do Brent, referência internacional, avançava 1%, cotado a US$ 101,72.

Na quarta, a AIE (Agência Internacional de Energia) ainda aprovou a liberação de 400 milhões de barris de suas reservas, o maior movimento desse tipo na história da organização que reúne 32 países, incluindo os Estados Unidos. O secretário de Energia norte-americano, Chris Wright, prometeu que 172 milhões de barris serão disponibilizados “a partir da próxima semana”.

Mas, para analistas, a medida é vista como um paliativo. “Na linguagem das mesas de operações, a liberação da AIE é o equivalente a apontar uma mangueira de jardim para um incêndio em uma refinaria”, comentou Stephen Innes, da SPI Asset Management.

A AIE afirmou que a interrupção no fornecimento já pode ser a maior da história. Em relatório mensal, a agência afirmou que a oferta global deve cair em 8 milhões de barris por dia em março como consequência do estrangulamento do Estreito de Hormuz, via por onde passam 20% de todo o petróleo e gás do mundo.

Países do Golfo do Oriente Médio, incluindo Iraque, Qatar, Kuwait, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita, reduziram a produção da commodity em pelo menos 10 milhões de barris por dia. Segundo a AIE, o volume equivale a 10% de toda a demanda mundial.

Sem uma rápida retomada dos fluxos de transporte, essas perdas devem aumentar. “A produção de upstream paralisada levará semanas e, em alguns casos, meses para retornar aos níveis anteriores à crise, dependendo do grau de complexidade do campo e do tempo para que os trabalhadores, equipamentos e recursos retornem à região”, disse a agência.

“Se preparem para o petróleo a US$ 200 o barril, porque o preço depende da segurança regional que vocês desestabilizaram”, disse o porta-voz militar iraniano Ebrahim Zolfaqari.

Em paralelo, os Estados Unidos anunciaram uma investigação comercial contra 60 países, incluindo o Brasil, para analisar se produtos fabricados com trabalho forçado estão entrando no mercado americano.

A base legal usada para a investigação é a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que permite aos EUA agir contra práticas comerciais injustas ou discriminatórias que prejudiquem o comércio americano.

A investigação, na prática, permite que os Estados Unidos imponham tarifas sobre quem violar acordos comerciais, o que pode deixar o Brasil sob ameaça de novas cobranças, de sobreaviso, por tempo indeterminado. As normas dos EUA exigem que o país alvo da investigação seja ouvido e apresente argumentos. O processo costuma durar 12 meses a partir do início da apuração.

Internamente, o BC realizou um “casadão” —leilões simultâneos de venda de dólares no mercado à vista e de negociação de contratos de swap cambial reverso.

O “casadão” eleva a liquidez no mercado à vista em momentos de estresse como o atual, em que o dólar tem sido pressionado pelos desdobramentos da guerra no Oriente Médio. Porém, o efeito do “casadão” sobre as cotações do dólar é, na prática, nulo, já que o BC vendeu US$ 1 bilhão em uma ponta e comprou US$ 1 bilhão em outra.

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