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Economia

Dólar avança 0,37% e encerra dia aos R$ 5,1799, maior nível desde 2 de julho

Com máxima de R$ 5,1809 na reta final do pregão, terminou o dia em alta de 0,37%, a R$ 5,1799

Redação Jornal de Brasília

12/08/2026 18h19

Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

São Paulo, 12 – Após rondar a estabilidade ao longo da tarde, o dólar ganhou força na última hora de negócios, acompanhando a valorização global da moeda norte-americana e o avanço das taxas dos Treasuries. Com máxima de R$ 5,1809 na reta final do pregão, terminou o dia em alta de 0,37%, a R$ 5,1799 – maior valor de fechamento desde 2 de julho (R$ 5,2082). Em agosto, avança 2,16%.

Operadores afirmam que o dia foi de acomodação para o mercado de câmbio local, que já teria assimilado, em grande parte, o rebaixamento da recomendação do JPMorgan para o Brasil e a última safra de pesquisas eleitorais – gatilhos que levaram a uma derrocada dos ativos domésticos na terça, em especial o recuo de 2,50% do Ibovespa, em meio a relatos de saída expressiva de capital estrangeiro.

As oscilações da taxa de câmbio ao longo do dia refletiram mais o vaivém do ambiente externo. O dólar até ensaiou uma queda pontual no início da sessão, após dados comportados da inflação ao consumidor nos EUA em julho reforçarem as apostas em manutenção da taxa básica de juros dos EUA em setembro. À medida que a moeda americana se fortalecia lá fora ao longo do pregão, em especial à tarde, o real perdia força.

Para o diretor de Pesquisa Econômica do Banco Pine, Cristiano Oliveira, o tombo do real em agosto pode ser atribuído a uma realocação de portfólio no universo de mercados emergentes, que leva à forte saída de recursos da bolsa doméstica, e ao aumento da volatilidade com a proximidade da eleição presidencial.

“Temos visto um movimento tático de curto prazo que é ruim para ativos denominados em real. Esse movimento pode ter sido ampliado pela questão eleitoral. O resultado da eleição é incerto e os candidatos líderes nas pesquisas não apresentaram propostas claras para endereçar a questão fiscal”, afirma Oliveira, ressaltando que a perspectiva de desaceleração mais forte da atividade também reduz o apelo dos ativos locais.

Termômetro do comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, o índice DXY se firmou em alta à tarde e tocou os 100,000 pontos, com máxima aos 100,023 pontos. As taxas dos Treasuries passaram a subir após a divulgação de dados fiscais nos EUA, o que pesou sobre as divisas emergentes. Entre os pares do real, apenas o rand sul-africano ganhou terreno.

Indicador mais aguardado da semana, o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) nos EUA em julho e seu núcleo vieram em linha com as estimativas, reforçando a expectativa de manutenção da taxa de juros pelo Fed em setembro, que se tornou majoritária no fim da semana passada, após dados fracos do mercado de trabalho.

Na visão do economista-chefe internacional do ING, James Knightley, um CPI benigno após um relatório de emprego (payroll) joga contra a ala mais conservadora do Fed, que propugna por aperto monetário neste ano. “O mercado ainda está precificando um aumento de taxa de juros neste ano, mas é mais provável que o Fed mantenha as taxas estáveis por um período prolongado, incluindo boa parte de 2027”, afirma Knightley.

Para Oliveira, do Pine, mesmo com eventual alta de juros pelo Federal Reserve e novo corte da taxa Selic, o diferencial de juros interno e externo seguirá elevado, dando suporte ao real. Além disso, os termos de troca do país seguem favoráveis, o que se reflete em saldos comerciais robustos. “Não vejo uma mudança estrutural para o comportamento do real. O movimento dos últimos dias não pode ser visto como uma tendência”, afirma.

Bolsa

Depois de um dia de forte baixa para o mercado de ações, o Ibovespa encerrou o dia em leve queda, em um movimento de acomodação após a intensa saída de recursos estrangeiros da bolsa na véspera. No entanto, apesar da correção ter sido pequena, a queda desta quarta-feira marca o sétimo pregão seguido de perdas.

Em agosto, portanto, não houve até agora um único pregão de alta para o Ibovespa, que opera no menor patamar desde 20 de janeiro. No acumulado do mês, a baixa já soma 5,90%.

Segundo profissionais de mercado, a saída dos estrangeiros é relevante para explicar o mercado nas últimas semanas porque, só em agosto, até o dia 10, já foram retirados R$ 7,2 bilhões do mercado de ações listadas.

“O que eu destacaria em uma leitura macro é um resgate grande de estrangeiros concentrado nos últimos dias, o fluxo de dinheiro que entrou no começo do ano ficou agora mais errático e isso explica porque a bolsa está descolando do mercado lá fora”, afirma Ricardo Modé, CIO da Etti Partners.

O Ibovespa terminou o dia em queda de 0,23%, aos 167.491,07 pontos, após bater a mínima de 167.141,82 pontos (-0,44%).

Para Lucas Xavier, head da mesa de renda variável e sócio da AW Capital, é natural que, depois de um movimento de forte queda, os investidores optem por evitar posicionamentos mais direcionais, como uma pequena parte aproveitando o espaço para compras, mas sem grandes exposição às ações.

“Se dermos uma olhada nas estatísticas de ontem, olhando indicadores técnicos, conseguimos ver que a negociação trouxe o Ibovespa para fora do padrão de volatilidade”, diz ele. “Então, é normal ter um movimento mais moderado, para trabalhar de novo dentro da banda de desvios.”

Outro tema que continua em evidência no Brasil é o cenário político, após pesquisas eleitorais recentes apontarem para uma vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o seu principal adversário, Flávio Bolsonaro (PL). O mercado espera uma chapa mais forte à direita por desejar um maior alinhamento a pautas de mercado, como a agenda fiscal.

Segundo um gestor que pediu para não ser identificado, a temporada de balanços do segundo trimestre no Brasil também não vem ajudando a dar suporte às ações. Na avaliação do profissional, o desempenho geral “tem decepcionado” e vem levando os investidores a não permanecerem com grandes posições compradas.

Taxas de juros

O esboço da curva de juros brasileira visto no início da tarde, com abertura dos vértices intermediários e longos, continuou até o final do pregão e esteve relacionado ao prêmio de risco fiscal-eleitoral. As pesquisas têm mostrado uma disputa pelo Palácio do Planalto acirrada e com vantagem para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Ainda assim, o mercado segue atribuindo chance majoritária de corte de 0,25 ponto porcentual na taxa Selic em setembro, após a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) de junho indicar fraqueza na atividade econômica.

Nos Estados Unidos, os rendimentos dos Treasuries curtos e médios seguiram em baixa após o índice de preços ao consumidor em linha com o esperado e leilão de T-notes de 10 anos com demanda sólida, mas dados de déficit orçamentário fizeram a taxa do T-bond de 30 anos virar para alta e sacramentam a avaliação de que o problema fiscal já é algo recorrente também a países desenvolvidos.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 encerrou em 13,755%, perto do ajuste de 13,761% de terça-feira. A taxa para janeiro de 2029 subiu para 14,25%, de 14,197%, e a para janeiro de 2031 avançou a 14,48%, de 14,432% do ajuste da véspera.

O economista Carlos Lopes, do BV, nota que o movimento nos DIs foi pequeno em comparação a ao dia anterior, quando a percepção do investidor estrangeiro piorou com a eleição e o rebaixamento de recomendação do Brasil para neutra pelo JPMorgan. “Hoje é mais uma continuação do movimento que temos visto desde a semana passada, de trajetória de alta da ponta mais longa com prêmio de risco em que o principal fator é o problema fiscal”, avalia.

Para Lopes, do BV, o principal evento do dia foi o CPI dos EUA, que avançou 0,1% em julho ante junho e subiu 3,4% em um ano, em linha com o esperado. Já a PMS no Brasil “veio mais forte do que o consenso, mas continua indicando fraqueza da atividade econômica, fator amplamente esperado pelo Banco Central”. Assim, o economista considera que não é surpresa a curva de juros precificar um corte de 19 pontos-base da Selic em setembro, o que mostra chance majoritária de uma redução de 0,25 pp.

O volume de serviços prestados no Brasil ficou estável em junho ante maio, na série com ajuste sazonal, acima da mediana da pesquisa Projeções Broadcast, que apontava queda de 0,2%.

A analista Lais Costa, da Empiricus, afirma que o mercado de juros teve uma reação mais técnica nesta quarta-feira. “À medida que o pregão perde liquidez e que se digere que ainda há chance de cerca de 40% de ter alta nos Fed funds em setembro, isso pesa no diferencial de juros e para a moeda brasileira é ruim, o que acaba fazendo o mercado de juros pedir mais prêmio”, avalia. O dólar subiu 0,37% ante o real, a R$ 5,1799.

Costa nota ainda que o receio fiscal começou a fazer preço nos Estados Unidos – visto no rendimento do T-bond de 30 anos em alta de 5,248% após o país tomar mais empréstimos nos 10 meses do ano fiscal de 2026 do que em todo o ano de 2025 -, de maneira similar com o que ocorre no Brasil.

No vértice mais curto dos Treasuries, o estrategista-chefe da Avenue, William Castro Alves, avalia que a ausência de surpresa no CPI foi bem recebida, porque reduz o receio de uma leitura mais pressionada da inflação após o conflito no Oriente Médio e seus possíveis impactos sobre petróleo, energia e outros preços ao longo da cadeia. Nesta quarta, o Brent para outubro fechou em leve alta de 0,08%, a US$ 88,98 por barril.

Estadão Conteúdo

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