Menu
Economia

Dólar abre próximo da estabilidade após prisão de pai de Vorcaro e novas denúncias sobre banco Master

Às 9h14, a moeda norte-americana caía 0,05%, cotada a R$ 5,0033. No dia anterior, o dólar fechou em disparada de 2,24%, cotado a R$ 5,003

Redação Jornal de Brasília

14/05/2026 10h52

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

Após subir 2,24% na quarta-feira (13), o dólar abriu próximo da estabilidade nesta quinta-feira (14) com os investidores acompanhando as novas investigações de fraude no banco Master que resultaram na prisão de Henrique Vorcaro, pai do dono da instituição financeira.

Além disso, os analistas esperam pelas movimentações políticas após a reportagem do The Intercept Brasil ter publicado que o candidato presidencial Flávio Bolsonaro (PL) negociou com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro o pagamento de R$ 134 milhões para bancar um filme sobre Jair Bolsonaro.

Às 9h14, a moeda norte-americana caía 0,05%, cotada a R$ 5,0033. No dia anterior, o dólar fechou em disparada de 2,24%, cotado a R$ 5,003.

A reportagem obteve um áudio que mostra Flávio cobrando do dono do Banco Master o pagamento de quantias para financiar a gravação do filme “Dark Horse”, que faz uma biografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. Questionado pelo The Intercept Brasil durante uma entrevista coletiva sobre a informação, Flávio afirmou que é “mentira”.

A reportagem também mostra uma troca de mensagem entre Flávio e Vorcaro, com o filho do ex-presidente dizendo: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”. Um dia após essa mensagem, o controlador do Master foi preso pela primeira vez pela Polícia Federal.

Na máxima do dia, a moeda americana atingiu R$ 5,014 (+ 2,46%). É o maior valor de fechamento desde 10 de abril, quando encerrou o dia a R$ 5,011.

A Bolsa caiu 1,79%, a 177.098 pontos. Na mínima do pregão, o Ibovespa, índice de referência do mercado acionário, recuou 1,97%.

A movimentação do mercado financeiro ocorre em meio ao temor de que a notícia dificulte a tentativa de eleição de Flávio Bolsonaro, o que poderia favorecer uma vitória de Luiz Inácio Lula da Silva. Analistas avaliam que o senador tem perfil mais alinhado à disciplina fiscal do que o atual presidente, Lula.

Integrantes da equipe econômica do pré-candidato defendem um ajuste fiscal inicial equivalente a dois pontos percentuais do PIB (Produto Interno Bruto) em caso de vitória eleitoral.

“Com um lado político apresentando medidas populistas que elevam o risco fiscal do país, e o outro lado depreciando em meio a supostos escândalos de corrupção, o risco Brasil cresce e reflete no mercado financeiro, com o investidor diminuindo a exposição a ativos de risco”, afirma Marcos Praça, diretor de análise da Zero Markets Brasil.

Em dezembro, quando Flávio Bolsonaro foi anunciado como candidato de Jair Bolsonaro, o mercado financeiro também reagiu negativamente, com disparada do dólar e queda de 4% da Bolsa. Até então, o nome preferido da Faria Lima era o do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.

Seis meses depois, Flávio Bolsonaro passou a ser visto por parte do mercado financeiro como o candidato favorito.

O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) disse à coluna de Mônica Bergamo que vai entrar com uma representação na PF (Polícia Federal) e outra na PGR (Procuradoria-Geral da República) pedindo a prisão preventiva do senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro.

Para Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, a queda da Bolsa tem a ver com a notícia. “Assunto Master é um assunto muito ligado à percepção de corrupção no Brasil e até agora não vinha sendo associado explicitamente à família Bolsonaro”.
André Galhardo, economista-chefe da Análise Econômica, a reportagem tende a dificultar a candidatura

de Flávio. “Há componentes externos também, como o índice de preço ao produtor americano vir mais forte que o esperado, na máxima mensal desde 2022. […] Mas o estresse do dólar na parte da tarde podemos atribuir, sim, a questões domésticas”.

Segundo pesquisa presidencial Genial/Quest, divulgada nessa quarta-feira (13), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece numericamente à frente de Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno, com 42% das intenções de voto, contra 41% do filho do ex-presidente. Brancos, nulos e quem diz que não vai votar vão a 14%, e indecisos, 3%. Na rodada anterior, de abril, o filho de Jair Bolsonaro registrava 42% das intenções de voto, e Lula, 40%.

Henrique Aguiar, diretor da Nova Futura, destaca que a notícia limita chances de mudança de governo. “Com essas pesquisas apertadas, complica muito”.

A reportagem também pressionou os juros futuros. As taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros), que refletem a expectativa do mercado para a trajetória futura da Selic, dispararam. A taxa do DI para janeiro de 2028 avançou a 14,050% (alta de 22 pontos-base). Na ponta longa da curva, a taxa do DI para janeiro de 2035 marcou 14,15%, com alta de 27 pontos-base.

O dia também foi marcado por dados de inflação dos EUA acima do esperado elevando as previsões de juros mais altos no país e fortalecendo a moeda norte-americana, o que pressiona moedas de mercados emergentes, como o real.

Nessa quarta, o Escritório de Estatísticas do Trabalho do Departamento do Trabalho divulgou que o índice dos preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) aumentou 1,4% em abril. O avanço foi bem superior do que a projeção dos economistas consultados pela Reuters, que previam alta de 0,5%. A alta foi o maior desde março de 2022.

Os dados se somam a divulgação do CPI (índice de preços ao consumidor, na sigla em inglês) de abril, divulgados na terça-feira (12). O indicador, que mede os preços pagos pelas famílias em itens como alimentação e saúde, avançou para 3,8% no mês, seu maior nível em três anos.

Leonel Oliveira Matos, analista de inteligência de mercados da StoneX, afirma que os dados mostram uma inflação aquecida nos EUA, o que sugere pressão sobre os preços repassados ao consumidor nos próximos meses.

“Isso reduz bastante a possibilidade de corte de juros no curto prazo. […] A ideia de que as taxas americanas permanecerão elevadas por mais tempo favorece o rendimento dos títulos do Tesouro americano, ajuda na atração de capital externo para os Estados Unidos e fortalece o dólar globalmente, pressionando moedas emergentes como o real”.

O pano de fundo da alta inflacionária do país é a guerra do Oriente Médio. O conflito pressiona as cotações do petróleo a adiciona incertezas as cadeias globais de insumos.

Além do efeito nos combustíveis, há o temor de repasses para produtos como alimentos, já que o diesel é um dos insumos da cadeia produtiva. O transporte de fertilizantes, outra matéria-prima do agronegócio, também tem sido afetado pela guerra.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado