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Economia

Dólar abre em alta em dia de disputa pela Ptax e após dados do mercado de trabalho no Brasil

O indicador estava em 5,4% nos três meses encerrados em junho, que servem de base de comparação

Redação Jornal de Brasília

30/10/2026 10h16

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

JÚLIA GALVÃO
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

O dólar abriu em alta nesta sexta-feira (30), em um pregão de formação da taxa Ptax de fim de mês e pela divulgação de novos dados do mercado de trabalho brasileiro.

A taxa de desemprego do Brasil ficou em 5,2% no trimestre até setembro, o menor patamar para esse intervalo na série histórica iniciada em 2012, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

O indicador estava em 5,4% nos três meses encerrados em junho, que servem de base de comparação.

Os dados integram a Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua).

Às 9h52, a moeda norte-americana subia 1,05%, cotada a R$ 5,443.

No Brasil, a formação da Ptax de fim de mês tende a aumentar a volatilidade do câmbio. Calculada pelo BC (Banco Central) com base nas cotações do mercado à vista, a taxa serve de referência para a liquidação de contratos futuros e é estabelecida no último dia útil de cada mês.

Nas janelas de coleta, investidores podem tentar direcionar a cotação para níveis mais convenientes às suas posições, sejam elas compradas (apostando na alta do dólar) ou vendidas (apostando na queda), o que pode provocar oscilações no mercado.

No exterior, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, registrava leve queda de 0,02%.

Na véspera (29), a moeda americana fechou em alta de 0,76%, cotada a R$ 5,387, enquanto a Bolsa recuou 1,06%, aos 169.186 pontos, pressionada por ações de bancos e empresas cíclicas.

Durante o dia, investidores ficaram cautelosos diante da indefinição sobre os rumos da política econômica do governo Lula e atentos à divulgação de dados econômicos dos Estados Unidos.

Analistas voltaram a demonstrar preocupação com a trajetória da dívida pública brasileira. No exterior, a inflação americana de setembro mostrou resiliência e reforçou as expectativas de que o banco central dos Estados Unidos mantenha os juros elevados, o que torna os ativos americanos mais atrativos em relação aos brasileiros.

Em meio ao pessimismo nos mercados doméstico e internacional, os ativos domésticos reagiram. Foi o quarto pregão consecutivo de queda. Na mínima do dia, o Ibovespa, índice de referência do mercado acionário brasileiro, caiu 1,31%.

Para Alexandre Pletes, head de renda variável da Faz Capital, o pregão foi marcado pela cautela. “Essa aversão ao risco é natural quando não há uma política econômica brasileira fundamentada. O mercado prefere trabalhar com aquilo que conhece, mesmo que a notícia seja ruim. A incerteza, por si só, gera aversão ao risco, e é isso que continuamos vendo”.

No mercado doméstico, as atenções permaneceram voltadas ao cenário político, a possíveis sinalizações sobre a política econômica do governo Lula e aos nomes que ocuparão os cargos da equipe econômica.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse na terça-feira (27) que reafirmou ao presidente Lula a necessidade de dar sinais ao mercado. Segundo ele, o governo já tem medidas prontas para apresentar, incluindo iniciativas para buscar o centro da meta fiscal.

Entre os nomes cotados para a pasta econômica de Lula, o mais comentado é o do governador do Piauí, Rafael Fonteles. Fonteles teria indicado que aceitaria renunciar ao mandato para assumir o Ministério. Na véspera (28), em conversa com a Folha, o governador eleito disse que Lula fará governo ousado para melhorar a vida do povo, mas terá responsabilidade fiscal.

As afirmações, contudo, contradizem falas de outras autoridades do governo. Na terça, o ministro da SRI (Secretaria de Relações Institucionais), José Guimarães (PT), afirmou à imprensa que um pacote de ajuste fiscal não é prioridade até o fim do ano e não está sendo discutido pelo governo.

Em postagem em rede social nesta quinta, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, disse que o “tesouraço foi derrotado nas urnas e pela mobilização popular” e que o “candidato da Faria Lima perdeu e fugiu para os EUA”.

A reeleição de Lula aumentou o receio de investidores de que o governo não adote medidas suficientes para equilibrar as contas públicas. Segundo dados divulgados pelo Banco Central, a dívida bruta do Brasil se manteve em 82,9% do PIB (Produto Interno Bruto) em setembro, mesmo nível de agosto e maior índice desde 2021.

A expectativa de continuidade de uma política fiscal expansionista tende a elevar o prêmio de risco exigido pelo mercado para financiar o governo, pressionando os juros futuros. Taxas mais altas, por sua vez, encarecem o crédito para empresas e consumidores e podem reduzir as perspectivas de lucro das companhias, afetando o desempenho da Bolsa.

Em meio às indefinições, os juros futuros registraram alta. A taxa do contrato de DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2031 avançou 3 pontos-base, a 15,10%, enquanto a do DI de janeiro de 2035 subiu a 15,17%, em avanço de 4 pontos-base.

Também permaneceu no radar o temor de cobrança de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) sobre os chamados títulos incentivados, isentos de IR (Imposto de Renda). A medida poderia incluir LCIs (Letras de Crédito Imobiliário), LCAs (Letras de Crédito do Agronegócio), CRIs (Certificados de Recebíveis Imobiliários), CRAs (Certificados de Recebíveis do Agronegócio) e debêntures incentivadas. A informação foi publicada pelo jornal O Globo na quarta-feira (28).

Para Gustavo Danilo, especialista em renda fixa da Manchester Investimentos, a discussão sobre uma eventual cobrança de IOF sobre esses instrumentos acrescenta incertezas. Segundo ele, a possível mudança aumenta as preocupações com a previsibilidade das regras, especialmente por envolver investimentos que financiam setores importantes da economia. “Até existir um desenho mais claro, acaba sendo mais um elemento de incerteza”, afirma.

Nesta quinta-feira, o secretário do Tesouro Nacional, Daniel Leal, negou que a tributação de títulos de investimento isentos esteja no radar. Em entrevista coletiva, Leal disse que o governo já avalia há algum tempo formas de tributar esses títulos para reduzir distorções no mercado e promover isonomia entre os instrumentos. Ressaltou, porém, que ainda é necessário estudar a melhor forma de fazê-lo e que não há nenhuma medida em discussão neste momento.

O exterior também pesou. Nesta manhã, o Departamento de Comércio dos Estados Unidos informou que o PCE avançou 3,6% nos 12 meses até setembro, em linha com a expectativa dos analistas. O órgão também divulgou que o PIB (Produto Interno Bruto) do país cresceu 3,4% no terceiro trimestre, acima da projeção de 3,2% dos economistas consultados pela Bloomberg.

O Fed utiliza o PCE (índice de preços das despesas de consumo pessoal, na sigla em inglês) como referência para sua meta de inflação de 2%. Na véspera, a instituição manteve a taxa de juros entre 3,75% e 4%, mas reiterou o compromisso com a estabilidade de preços.

“O acúmulo de mais informações ajudará o Comitê a determinar a orientação de política monetária adequada para assegurar o retorno da inflação, em tempo hábil, à meta de 2% do Comitê”, afirmou o Comitê Federal de Mercado Aberto, responsável pela definição dos juros. “O Comitê garantirá a estabilidade de preços.”

Para Leonel Oliveira Matos, analista de inteligência de mercados da StoneX, os números mostram um quadro inflacionário mais desafiador, persistente e disseminado nos Estados Unidos, o que pode levar o Fed a elevar os juros nos próximos meses. “A principal surpresa veio do PIB norte-americano, que cresceu acima do esperado […] O crescimento mais forte da atividade econômica nos Estados Unidos representa um fator de risco inflacionário.”

Segundo ele, embora os dados reforcem a perspectiva de novas altas de juros pelo Fed, movimento que tende a fortalecer o dólar, essa reação não se concretizou. No exterior, o índice DXY, que mede o desempenho da moeda americana antes seis outras divisas fortes, recuou 0,19%.

No mercado acionário, os índices S&P 500, Nasdaq e Dow Jones recuaram 0,27%, 1,40% e 0,25%, respectivamente.

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