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Economia

Dólar abre em alta com cenário político brasileiro e dados dos EUA no radar

Por volta das 9h35, a moeda americana subia 0,13%, a R$ 5,350

Redação Jornal de Brasília

29/10/2026 10h45

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Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

O dólar abriu em leve alta nesta quinta-feira (29), enquanto investidores seguem incertos sobre os rumos da política econômica do governo Lula 4.

O pregão também acompanha a divulgação de dados econômicos dos Estados Unidos, com destaque para o PCE (índice de preços das despesas de consumo pessoal, na sigla em inglês), indicador importante para as decisões de política monetária do Fed (Federal Reserve, banco central americano).

Por volta das 9h35, a moeda americana subia 0,13%, a R$ 5,350. No mesmo horário, os juros futuros recuavam, em movimento de correção. Após avançar na véspera, a taxa do contrato de DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 caía 3 pontos-base, para 14,380%, enquanto a do contrato para janeiro de 2031 recuava 6 pontos-base, para 15,05%.

Na véspera, os ativos brasileiros voltaram a registrar um dia de forte volatilidade. O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, despencou 2,67%, aos 171.006 pontos, ainda pressionado pelo movimento de correção após a vitória do presidente Lula (PT), reeleito para um quarto mandato. O resultado contrariou as expectativas de parte dos investidores, que apostavam na vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL).

O dólar oscilou ao longo do dia e fechou em leve queda de 0,03%, cotado a R$ 5,346, com os investidores repercutindo a decisão do Fed (Federal Reserve, o banco central americano) de manter a taxa de juros dos Estados Unidos no intervalo entre 3,75% e 4%.

No mercado de juros futuros, os contratos com vencimentos mais curtos fecharam perto da estabilidade, enquanto os de prazos mais longos registraram alta, após o forte avanço observado na segunda-feira (26), primeiro pregão depois do segundo turno. A taxa dos contratos com vencimento em janeiro de 2028 ficou em 14,380%, com queda de 0,01%, enquanto a de janeiro de 2035 subiu 1,33%, a 15,105%.

Gustavo Danilo, especialista em renda fixa da Manchester Investimentos, afirma que o movimento mostra que o mercado ainda tenta encontrar um novo patamar para os juros após a eleição.

“Ontem tivemos algum alívio, inclusive com atuação do Tesouro, mas hoje a curva volta a abrir principalmente do miolo para os vencimentos mais longos. A parte curta se movimenta bem menos, então a discussão neste momento parece estar muito mais ligada ao prêmio fiscal e às expectativas para os próximos anos do que a uma mudança imediata na trajetória da Selic”, diz.

Segundo Danilo, passada a reação inicial ao resultado eleitoral, o mercado começa a cobrar mais clareza sobre os próximos passos do governo. Entre os principais pontos de atenção estão a formação da equipe econômica, o Orçamento de 2027 e as medidas de ajuste fiscal que podem ser apresentadas ainda neste ano.

Nesta quarta-feira, também foi divulgado que a alíquota da CBS, tributo federal previsto na reforma tributária, poderá ser de 11,3% em 2027, segundo proposta apresentada pelo TCU (Tribunal de Contas da União) para manter a carga dos tributos federais sobre o consumo. O percentual ficou acima das projeções.

Franciny de Barros, sócia da área tributária do escritório Candido Martins Cukier, afirma que a divulgação de uma alíquota superior à esperada, a cerca de dois meses do início da cobrança, gera incertezas sobre o impacto nos orçamentos das empresas, inclusive daquelas que já haviam se preparado para a reforma.

“A alteração nas projeções compromete o planejamento financeiro e a segurança jurídica das empresas que já haviam avaliado os reflexos da transição”, afirma.

Cristina Camara, professora de direito tributário e financeiro da CEPED/UERJ, avalia que o impacto poderá ser significativo, especialmente para o setor de serviços, que tem menos possibilidades de aproveitar créditos.

O debate sobre alternativas de arrecadação também trouxe de volta a possibilidade de tributação de investimentos hoje isentos, como LCIs, LCAs, CRIs, CRAs e debêntures incentivadas.

Para Gustavo Danilo, a discussão sobre uma eventual cobrança de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) sobre esses instrumentos acrescenta incertezas. Embora não considere o tema o principal responsável pela alta dos juros futuros, o especialista afirma que a possibilidade de mudanças aumenta as preocupações com a previsibilidade das regras, especialmente por envolver investimentos que financiam setores importantes da economia.

“Até existir um desenho mais claro, acaba sendo mais um elemento de incerteza”, afirma.
A RB Asset diz que caso o governo decida tributar esses investimentos, é importante que a cobrança siga as mesmas regras para todos os instrumentos, evitando distorções entre produtos bancários e aqueles do mercado de capitais.

Segundo a gestora, diferenças no tratamento tributário poderiam levar investidores a migrar recursos de um produto para outro apenas para obter vantagens fiscais.

Entre as principais quedas do Ibovespa nesta quarta-feira estavam as ações de grandes bancos, como o Santander, que divulgou seu balanço trimestral com queda de 28% no lucro em relação ao mesmo período do ano anterior e de 4,3% na comparação com o segundo trimestre de 2026.

Também recuaram os papéis do BTG Pactual, que caíram 6,52%, e do Bradesco, com baixa de 6,67%, além das ações do Banco do Brasil e do Itaú.

As ações de empresas mais sensíveis aos juros elevados, como Smart Fit, Fleury, Iguatemi e Axia, também encerraram o pregão em queda.

A desvalorização dessas companhias reflete o receio de que a manutenção de uma política de gastos elevados no governo Lula dificulte o controle da dívida pública e a redução dos juros.

No exterior, a decisão do Fed concentrou as atenções ao longo do dia. O banco central americano manteve a taxa de juros entre 3,75% e 4%, em uma decisão que contou com dez votos favoráveis e dois contrários.

Segundo Fernando Saad Benati, estrategista global da Avenue, a manutenção dos juros veio em linha com as expectativas do mercado. Agora, os investidores acompanham a comunicação do Fed em busca de sinais sobre os próximos passos da política monetária, já que o presidente da instituição, Kevin Warsh, tem evitado antecipar as decisões futuras.

As expectativas para a reunião de dezembro indicam uma probabilidade próxima de 80% de uma nova alta de juros, segundo Benati.

Bruna Centeno, economista, sócia e advisor da Blue3, afirma que, como a manutenção dos juros já era esperada, as atenções se voltaram principalmente para o comunicado do Fed, em meio à recente escalada das tensões envolvendo os Estados Unidos.

Segundo a especialista, o agravamento do conflito tem pressionado os preços do petróleo, aumentando as preocupações com a inflação americana.

“Isso tem feito preço principalmente no petróleo, que traz a ponta de inflação para cima”, afirma.

Às 17h14, o petróleo Brent, referência mundial da commodity, estava em leve queda de 0,05%, cotado a US$ 113,95 por barril.

Em Wall Street, as Bolsas americanas fecharam o dia em alta. O Dow Jones avançou 0,19%, enquanto o S&P 500 subiu 0,28% e o Nasdaq registrou valorização de 0,27%.

Os rendimentos dos títulos do Tesouro americano (Treasuries) também encerraram o dia em alta. A taxa dos papéis com vencimento em dez anos subiu 0,54%, a 5,023% ao ano, enquanto a dos títulos de 30 anos avançou 0,73%, a 5,349% ao ano.

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