Brasília, 29 – A dívida bruta do governo geral ficou estável em 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB) em setembro, informou ontem o Banco Central. Em valores nominais, passou de R$ 11,055 trilhões para R$ 11,114 trilhões. Ainda assim, trata-se do maior patamar desde março de 2021, em meio à pandemia de covid-19.
O indicador – que abrange os governos federal, estaduais e municipais, excluindo o BC e as empresas estatais – é uma das referências para a avaliação, pelas agências globais de classificação de risco, da capacidade de solvência do País. Na prática, quanto maior a dívida, maior o risco de calote por parte do Brasil.
No terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o endividamento do governo geral subiu mais de dez pontos porcentuais, era de 71,68% do PIB em dezembro de 2022. O indicador preocupa analistas do mercado financeiro, que cobram do governo medidas concretas para conter a alta da dívida e abrir caminho para uma redução mais rápida dos juros.
Além disso, como o Estadão mostrou, as novas medidas e promessas anunciadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a campanha eleitoral vão exigir ajustes de R$ 39,8 bilhões no Orçamento de 2027. Entre elas estão o reajuste do Bolsa Família e um pacote voltado a microempreendedores individuais (MEIs).
Em entrevista ao Estadão, o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), cotado para assumir o Ministério da Fazenda, afirmou que Lula promoverá o equilíbrio fiscal com cortes de privilégios e desperdícios, sem reduzir programas sociais, e cumprirá todas as promessas de campanha.
DÉFICIT
Ainda segundo dados do BC, o setor público consolidado (governo central, Estados, municípios e estatais, à exceção de Petrobras e Eletrobras) teve déficit primário de R$ 5,497 bilhões em setembro, após resultado negativo de R$ 10,012 bilhões em agosto Em setembro de 2025, o déficit foi de R$ 17,452 bilhões.
O resultado do mês passado ficou acima da mediana das estimativas da pesquisa Projeções Broadcast, que apontava para um déficit de R$ 2,7 bilhões, com piso de R$ 600 milhões e teto de R$ 7,5 bilhões. O resultado, porém, foi o melhor para o mês desde 2022, quando houve superávit de R$ 10,746 bilhões.
Em setembro, o governo central (Tesouro Nacional, BC e INSS) teve superávit primário de R$ 3,469 bilhões, segundo a metodologia do BC. Estados e municípios registraram resultado negativo de R$ 5,573 bilhões, e as empresas estatais, déficit de R$ 3,393 bilhões.
Estadão Conteúdo