O diretor de Gestão de Riscos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), João Carlos Ferraz, afirmou hoje (10), que o país vive um cenário muito positivo com previsão de crescimento econômico, nos próximos cinco anos, em torno de 5%.
Ao participar da oficina Brasil: Novo Ciclo de Desenvolvimento, promovida pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), Ferraz ressaltou que, no entanto, o desafio, a longo prazo, é transformar esse crescimento em desenvolvimento sustentado.
“Que nada mais é do que a nação ser capaz de gerar mais e melhores empregos. O ‘mais’ nos dá noção da quantidade, que realmente o crescimento levará à absorção de mais postos de trabalho. O ‘melhores’ é chave. Se, ao longo do tempo, conseguirmos melhorar a qualificação da mão de obra, as competências das pessoas, a capacidade das empresas, isso resultará em produtos de melhor qualidade para o consumidor, mais elaborados, atendendo demandas de consumo mais sofisticadas e a que as empresas sejam mais eficientes.”
O economista da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) Ricardo Bielschowsky, destacou que o Brasil tem recursos naturais abundantes e sua indústria mostra uma evolução no crescimento, com a economia apresentando um bom cenário de produção e de consumo de massa. “Estamos em um ciclo de desenvolvimento no mercado interno de produção e consumo de massa que é virtuoso e que vai enfrentar uma série de problemas. Para enfrentá-los, é preciso continuar distribuindo renda, preparar boa infraestrutura e praticar uma política macroeconômica que proteja as exportações”.
Bielschowsky defendeu a necessidade de ampliar os investimentos públicos e privados, cuidar melhor do meio ambiente e buscar maior harmonia territorial. Para ele, as principais dificuldades para chegar nesses pontos estão na educação, na melhoria das empresas e em alcançar uma política macroeconômica que não afete a inflação, mas proteja a competitividade das empresas para reduzir a vulnerabilidade externa da economia brasileira.
“Estou otimista em geral, apesar do cenário internacional complicado de vários lados, existe uma velocidade do progresso técnico gigantesca, que temos que acompanhar. Existe uma preocupação muito correta e saudável com a questão ambiental. É um momento bom, mas com alguma dificuldade. Vamos ver como o próximo presidente da República vai instruir o governo para vencer essas dificuldades e desenvolver o país”, disse.
As propostas discutidas e elaboradas pelos membros do CDES, na oficina, serão enviadas ao presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva.