A pré-candidata petista à Presidência da República, Dilma Rousseff, disse que, se eleita, cortará gastos com custeio, mas que isso será feito com critério, para que os investimentos não fiquem inviabilizados. Ela chegou a criticar a postura adotada antes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de corte de gastos públicos de forma “ampla, geral e irrestrita”.
“Era a política de cortar, doa a quem doer. Quando entrei no Ministério de Minas e Energia, uma pasta técnica, percebi que havia um engenheiro e 11 motoristas. Não tenho nada contra os motoristas, mas é irracional ter um ministério extremamente técnico, que trata de questões de geração de energia, petróleo e gás, funcionando sem engenheiros”, disse Dilma.
A ex-ministra disse que há uma idéia falsa de que há oposição entre custeio e investimento e que muitas pessoas dizem que querem investir em educação sem defender, por exemplo, a valorização do professor. Segundo Dilma, há os que defendem o investimento em educação básica, em contraposição ao investimento no ensino superior, com o que ela não concorda.
“Há uma oposição entre custeio e investimento que não é real. Todo mundo quer educação eficiente, mas não defende investimentos na formação de professores. Há custos que não podem ser cortados. Não vamos fazer aquele corte tradicional, sem olhar a quem. Nesse corte, eram mandados embora médicos, delegados da Polícia Federal, professores, profissionais de todos os níveis. Vou levar em conta a eficiência da máquina”, disse a pré-candidata.
Segundo Dilma, a reforma tributária que será prioridade do seu governo deverá ser feita sem impedir medidas pontuais que possam ser tomadas pelo governo fora da proposta ampla.
“Esse momento de eleição é muito importante para conscientizar as pessoas, sobretudo os parlamentares, de que essa reforma é essencial. Pior, é uma uma questão que ainda empata a competitividade do país. Já [existe] uma certa consciência de que chegou no limite. Precisamos de uma reforma ampla, feita de forma simultânea com ações pontuais”.