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Economia

DF tem a maior inflação do País pelo segundo mês consecutivo

Arquivo Geral

22/10/2015 6h00

Sob o impacto do aumento dos preços do gás de botijão e da gasolina, ambos reajustados nas refinarias da Petrobras, a prévia da inflação oficial, medida pelo IPCA-15, avançou em outubro para 9,77% no acumulado em 12 meses.

Trata-se de uma aceleração frente ao acumulado em 12 meses até setembro (9,57%) e o maior índice desde dezembro de 2003 (9,86%), quando os preços foram afetados pelas incertezas do mercado sobre um primeiro governo Lula.

Isoladamente em outubro, a inflação foi de 0,66%, acima da prévia de setembro (0,39%) e do mesmo mês do ano passado (0,48%). É a maior taxa para meses de outubro desde 2002 (0,90%).

Pelo segundo mês consecutivo, a inflação bateu recorde em Brasília. Neste mês, o IPCA-15 registrou alta 1,28%, a maior entre as capitais pesquisadas pelo IBGE e, assim como em setembro, bem acima da média nacional. 

Aqui na capital, além dos reajustes da gasolina e do gás de cozinha, pesaram na aceleração da carestia o aumento médio de 33,34% das passagens de ônbius urbanos a partir de 20 de setembro. Para o cálculo do IPCA-15 os preços foram coletados entre 15 de setembro e 14 de outubro com a mesma metodologia do IPCA cheio.

Dois dígitos

A inflação cruzou a fronteira dos dois dígitos na região metropolitana de São Paulo. No IPCA-15, a alta de preços chegou a 10,18% em 12 meses até outubro. Os reajustes no gás de botijão, nos combustíveis e a alta nos preços de alimentos, que impulsionaram a inflação geral, foram mais salgados em São Paulo. Por isso, a região se juntou ao grupo de cidades que já vinham com aumento de preços superior a 10%: Curitiba, Goiânia, Porto Alegre e Rio de Janeiro.

Os maiores pesos

Apenas três grupos foram responsáveis por mais de dois terços da inflação percebida em outubro. Habitação, transportes e alimentação acrescentaram 0,48 ponto porcentual à alta de preços. Na habitação, o maior peso veio da elevação de 10,22% no valor do botijão de gás. Entre setembro e outubro, esse item já ficou 16,11% mais caro. Já nos transportes, a gasolina subiu 1,70% e os  alimentos aumentaram 0,62%.

Preços vão continuar subindo

O economista-chefe do banco ABC Brasil, Luís Otávio Leal, acredita que o resultado em 12 meses chegue a 9,96% no IPCA final de outubro. “Boa parte da pressão que vai crescer é porque a inflação de alimentos está piorando, juntamente com a entrada mais forte do reajuste dos combustíveis”, afirmou.

Segundo Leal, há uma combinação de altas típicas de fim de ano (em carnes, por exemplo) e de pressão do câmbio sobre derivados de trigo e soja, já que a matéria-prima desses produtos é cotada em dólar. Nos combustíveis, o reajuste de 6% na gasolina nas refinarias, desde 30 de setembro, será captado de forma integral pelo IBGE. Por isso, o impacto ficará maior.

Levantamento realizado ontem pela Agência Estado após a divulgação do IPCA-15 mostra que os economistas esperam altas de até 0,85% no fim do mês. O economista Marco Caruso, do Banco Pine, acredita que o IPCA pode levar mais tempo para chegar a dois dígitos. Mesmo assim, o resultado não deve ter outro caminho. “Já estimamos 10% para este ano, e deve atingir dois dígitos em novembro”, avaliou.

Banco Central mantém juros em 14,25%

No dia em que se soube que a inflação acumulada em 12 meses superou a marca de 10% em algumas regiões do País, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central manteve a taxa básica Selic estável em 14,25% ao ano. 

Também sinalizou, no comunicado, que o IPCA não irá convergir para a meta, que tem como teto 6,5%, nem em 2016. Esta é a segunda vez consecutiva que o colegiado, por unanimidade, decide congelar os juros. O mercado financeiro também apostava em peso que não haveria mudanças.

Para a diretoria do BC, o foco na meta não está mais em 2016, como pregava até então. A diretoria já discutia internamente a possibilidade de rever esse prazo de atuação. Em setembro, o recado foi o de que a manutenção desse patamar por período “suficientemente prolongado” é necessária para a “convergência da inflação para a meta no final de 2016”. 

Agora, o comunicado do Copom traz que a manutenção por tempo prolongado é necessária para a convergência da inflação para a meta no horizonte relevante da política monetária. Esse período, como é sabido, é de dois anos a frente da data atual.

Além disso, o comitê ressaltou que a política monetária se manterá “vigilante” para a “consecução desse objetivo”.

Saiba mais

Mesmo com a disparada dos preços, a decisão do Copom também levou em conta a recessão econômica, que não permite alta dos juros. Até por conta disso, as estimativas do mercado sobre a possibilidade de corte têm sido adiada semana a semana e também passam por redução de magnitude.

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