Carlos Carone
carone@jornaldebrasilia.com.br
O susto é grande e o prejuízo pode ser ainda maior. Em uma escala assustadora, os golpes aplicados por estelionatários que usam documentos falsos para abrir contas, comprar carros, linhas telefônicas ou bens de consumo tiram o sono de milhares de brasileiros e de boa parte dos especialistas em tecnologia da informação que trabalham em instituições financeiras que atuam no País. Apenas no Distrito Federal, o Instituto Brasileiro de Estudo e Defesa das Relações de Consumo (Ibedec) registra uma média de 120 reclamações por ano, feitas por pessoas que foram vítimas de golpes e estão com o nome sujo na praça injustamente.
Geralmente, os criminosos se aproveitam de ferramentas tecnológicas para ter acesso a dados pessoas das vítimas. Com CPF e identidade falsos, fica fácil abrir uma conta bancária, comprar produtos caros e fugir antes que a falcatrua seja descoberta. Segundo o presidente do Ibedec, José Geraldo Tardin, esse tipo de golpe já soma 57 casos apenas no primeiro semestre deste ano. “Temos casos incríveis, de gente humilde que nem renda tinha e os criminosos conseguiram as informações necessárias para apresentar uma declaração de imposto de renda falsa e até comprar um carro em nome da pessoa”, contou Tardin.
O caso contado por Tardin ocorreu com um um homem idoso, que mora em Taguatinga. Sem que ele soubesse, um veículo foi comprado em seu nome. “Só descobri quando um oficial de Justiça veio até aqui e disse que iria apreender o carro. Eu disse para ele que tinha apenas uma bicicleta, caso ele desejasse levar”, brincou o homem que preferiu não se identificar. O presidente do Ibedec alerta para a utilização de cartões de débito e crédito em estabelecimentos pouco conhecidos. O usuário não pode perder seu cartão de vista. “Além disso, é preciso evitar a emissão de cheques que tenham um valor baixo, já que muitos estelionatários compram as folhas por um valor bem maior do que R$ 10 ou R$ 15. Com a folha em mãos fica bem mais fácil fazer a falsificação de documentos”, explicou Tardin.
Muito cuidado
De acordo com informações do Ibedec, também é preciso ter muito cuidado com as medidas a serem tomadas após a perda de documentos importantes como a carteira de identidade e do CPF. Muitas pessoas costumam fazer apenas o registro de uma ocorrência policial relacionada ao extravio dos documentos, mas não é suficiente.
“Também é essencial registrar um boletim nos serviços de proteção ao crédito como o SPC e o Serasa. Desta forma fica mais fácil evitar fraudes, já que a perda do documento constará no sistema dos órgãos”, destacou Tardin.
Para diminuir o prejuízo dos bancos, que após processos de investigação percebem que o usuário foi lesado, e são obrigados a arcar com os valores levados pelo estelionatário, investem cada vez mais em tecnologia da informação. No ano passado, as instituições financeiras investiram cerca de R$ 1,9 bilhão em segurança, de acordo com dados da Federação Brasileira de Bancos (Febraban). “Os bancos também estão pensando e gastando mais em tecnologia e segurança, principalmente com o aumento da utilização de Internet Banking, principal porta de entrada para o roubo de dados”, explicou o especialista em tecnologia da informação, Roberto Guimarães.
Leia mais na edição desta sexta-feira (06) do Jornal de Brasília.