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Economia

Desemprego recua a 5,3%, menor taxa até julho na série histórica, e renda fica estável

Brasil tinha 5,8 milhões de pessoas desocupadas e 103,3 milhões trabalhando no trimestre até julho; construção liderou abertura de vagas

Redação Jornal de Brasília

27/08/2026 12h14

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Carteira de trabalho. Foto: Reprodução

LEONARDO VIECELI
FOLHAPRESS

A taxa de desemprego do Brasil recuou a 5,3% no trimestre até julho. É o menor patamar para esse intervalo na série histórica iniciada em 2012, apontam dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgados nesta quinta-feira (27).

O indicador estava em 5,8% nos três meses encerrados em abril, que servem de base de comparação. O novo resultado ficou em linha com a mediana das projeções do mercado financeiro, que também era de 5,3%, conforme a agência Bloomberg.

O IBGE disse que o mercado de trabalho segue mostrando resultados positivos, apesar do cenário de juros altos no Brasil.

Conforme o instituto, a queda do desemprego está associada ao avanço da ocupação no trimestre até julho -ou seja, dos trabalhadores que exercem algum tipo de atividade laboral.

A renda do trabalho, contudo, voltou a dar sinais de estabilidade na média, após mostrar trajetória de alta nos últimos anos. O rendimento foi estimado em R$ 3.762 por mês no trimestre até julho.

A população considerada desempregada, que está à procura de vagas, recuou a 5,8 milhões até julho. É o menor número da série para esse intervalo. O contingente diminuiu 8% ante o trimestre finalizado em abril (menos 503 mil).

Já a população ocupada com algum tipo de trabalho alcançou 103,3 milhões até julho. É a maior da série para os diferentes trimestres. O número subiu 1% (mais 1 milhão) frente ao período até abril.

“A população ocupada está aumentando e tirando pessoas da desocupação”, disse o analista do IBGE William Kratochwill.

O chamado nível da ocupação subiu a 58,9% até julho. Esse indicador mede o percentual de pessoas que trabalham em relação ao total de 14 anos ou mais. A proporção é a segunda maior da pesquisa e está bem próxima ao recorde de 59%, registrado até novembro do ano passado.

Considerando a série histórica, o aumento da população ocupada indica que uma parcela maior da mão de obra já está ocupada. A situação ocorre em um cenário no qual parte das empresas relata dificuldade para preencher postos de trabalho.

CONSTRUÇÃO PUXA ABERTURA DE VAGAS

O impulso para a ocupação veio da construção no trimestre até julho. Essa atividade teve acréscimo de 371 mil trabalhadores frente ao intervalo até abril, o que significa avanço de 5,1%.

Segundo Kratochwill, a Pnad detectou aumento de trabalhadores tanto na construção de edifícios quanto em obras de infraestrutura. Pedreiros estão entre os profissionais que conseguiram vagas no setor, indicou o pesquisador.

Ele afirmou que a alta do emprego na construção pode explicar a renda estacionada até julho. Na média, o setor tem rendimento inferior ao do mercado de trabalho em termos gerais.

Ao marcar R$ 3.762 por mês, a renda média da população ocupada no país teve variação negativa de 0,7% ante o período finalizado em abril (R$ 3.786).

O IBGE, contudo, considera o dado como estabilidade. Isso ocorre porque a variação não foi significativa em termos estatísticos, permanecendo dentro da margem de erro da pesquisa.

A renda média seguiu em alta se comparada ao trimestre até julho do ano passado, quando estava em R$ 3.643. O crescimento nesse recorte foi de 3,3%. Os dados são divulgados em termos reais -ajustados pela inflação.

Nas estatísticas oficiais, uma pessoa de 14 anos ou mais que não tem emprego precisa estar à procura de oportunidades para ser considerada desempregada. Não basta só não trabalhar.

A taxa de desocupação já havia registrado 5,4% até junho, mas o IBGE evita a comparação direta entre trimestres com meses repetidos. É o caso dos intervalos finalizados em junho e julho.

Na divulgação anterior, economistas afirmaram que o mercado de trabalho ainda mostrava força, mas começava a dar sinais mais claros de desaceleração. Um dos indícios apontados na ocasião foi a relativa estabilidade da renda após trajetória de crescimento.

Conforme analistas, o desemprego baixo para os padrões brasileiros reflete uma combinação de fatores que inclui o crescimento da atividade econômica nos últimos anos. A economia segue com medidas de estímulo do governo Lula (PT) antes das eleições, enquanto o aperto dos juros altos atua em sentido oposto.

Outra questão citada por especialistas é a mudança demográfica em curso no país. Com o envelhecimento da população, a tendência é de que uma parcela dos brasileiros saia do mercado e deixe de buscar ocupação.

Isso reduz a pressão sobre a taxa de desemprego, mas desafia o sistema previdenciário, porque a demanda por aposentadorias tende a crescer.

O mercado de trabalho ainda é influenciado por vagas ligadas à tecnologia. Estudo do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas) estimou no ano passado que o trabalho em aplicativos reduzia o desemprego em um ponto percentual.

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