O desemprego continuará aumentando nos próximos meses e alcançará seu nível máximo nos países industrializados durante 2010, stomach apesar dos primeiros sintomas de recuperação da crise econômica.
Esta foi a advertência feita pelos responsáveis do Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial (BM) durante a II Reunião de Ministros da Fazenda da América, realizado hoje na cidade chilena de Viña del Mar.
“Embora estejamos começando a ver sinais de revitalização, os números de desemprego continuarão deteriorando-se”, advertiu Nicolás Eyzaguirre, diretor do Departamento do Hemisfério Ocidental do Fundo Monetário Internacional (FMI), que participou do fórum representando seu diretor, Dominique Strauss-Kahn.
Em uma exposição a portas fechadas, Eyzaguirre especificou, além disso, que a recessão “contaminou o mundo”, mas ressaltou que a queda da economia mundial começou a desacelerar-se “com vigor” e os números de 2010 serão melhores do que se imaginava há alguns meses.
Os Estados Unidos liderarão a recuperação econômica, graças aos recursos injetados pelo Governo de Barack Obama, enquanto a Europa e o Japão demorarão um pouco mais para recuperar-se.
Mas o crescimento do emprego virá depois da recuperação da produção, já que os agentes econômicos não tomam decisões até que verifiquem a consolidação do ritmo de crescimento depois da recessão.
Por isso, o presidente do Banco Mundial (BM), Robert Zoellick, pediu hoje aos Governos que não combatam o crescente desemprego com medidas protecionistas que interrompam o comércio mundial.
“Esse é o caminho que agravou a Grande Depressão dos anos 30”, advertiu Zoellick, que lembrou que a Organização Mundial do Comércio (OMC) apresentou um relatório nesta semana sobre o impacto das medidas restritivas ao comércio, que coincide com outros documentos elaborados pelo próprio BM.
“O desemprego pressiona os Governos a tomarem medidas, os países pedem aos consumidores que comprem seus próprios produtos”, assinalou o presidente do BM.
Além disso, lembrou que o organismo recentemente criou um fundo para estimular o comércio mundial nos próximos dois anos, de US$ 50 bilhões, dos quais mais de US$ 12 bilhões serão destinados à América Latina.
Consciente do impacto do desemprego sobre os setores sociais mais desfavorecidos, a presidente do Chile, Michelle Bachelet, encorajou os países do continente americano a superar a crise com a vontade política de trabalhar coordenadamente e mantendo a mente fria para tomar as decisões adequadas.
“A experiência chilena nos ensina que nos momentos difíceis é preciso manter a cabeça fria”, acrescentou Michelle, em alusão às políticas de proteção social, e disse que, em momentos de crise econômica, “é possível ser popular, sem ser populista”.
Sobre o impacto da crise na economia real, os ministros de Fazenda do continente americano expressaram sua preocupação pelas dificuldades para conceder empréstimos que sustentem medidas contra a crise.
O presidente do BM reconheceu que é muito difícil para a América Latina obter os R$ 180 bilhões que necessita para superar a recessão, enquanto as principais economias buscam os US$ 300 bilhões para solucionar seus próprios déficits.
Por isso, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) anunciou que antes do final de ano fechará as discussões sobre a nona ampliação de capital em seus 50 anos de história, que segundo números oficiosos poderia rondar os US$ 180 bilhões.
Os responsáveis dos organismos financeiros multilaterais discutiram também a situação em Honduras e reiteraram que manterão congelados seus programas de ajuda ao terceiro país mais pobre da América, até que não se resolva a crise causada pela deposição do presidente Manuel Zelaya.
O BM tem projetos de desenvolvimento de US$ 400 milhões em Honduras, dos quais US$ 270 milhões não foram desembolsados e cuja entrega ficou suspensa esta semana pelo golpe militar contra Zelaya, segundo Zoellick.