A geração de sete mil novos postos de trabalho no DF fez com que a taxa de desemprego recuasse de 14%, em junho, para 13,7%, em julho. A informação consta da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), realizada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), divulgada nesta quarta-feira (25).
O número de empregos gerados é superior ao crescimento da População Economicamente Ativa (PEA). O aumento do nível ocupacional no mês de julho ocorreu de forma diferenciada. A indústria criou 4,1% postos de trabalho a mais, o que corresponde a duas mil vagas. A administração pública gerou 1,6% de vagas a mais, ou seja, três mil novas oportunidades de trabalho. O setor de serviços também ampliou o contingente de ocupados. Houve crescimento de 1,5%, gerando nove mil empregos. No comércio houve crescimento de 1,6% e na construção civil 1,5%.
O secretário do Trabalho do DF, Takani Nascimento, explicou que essa é a melhor taxa registrada nos últimos anos. Para ele, as novas políticas públicas de governo para o trabalho são responsáveis pelo recuo do índice de desemprego. “Há postos, mas não há mão de obra qualificada”, detalhou Nascimento.
Capacitação
Para resolver o problema da falta de qualificação, a Secretaria de Trabalho do Distrito Federal (Setrab) criou cursos de capacitação em várias áreas. Atualmente oito mil pessoas fazem cursos de capacitação organizados em parceria com o Serviço Social da Indústria (Sesi) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai).
No Espaço Cidadão de Samambaia, 900 alunos participam de cursos voltados à construção civil, como pedreiro, carpinteiro e auxiliar de obras. As aulas práticas serão realizadas no canteiro de obras da reforma do Mané Garricha. Outros três mil alunos participam do curso de informática à distância. Na Estrutural, 950 desempregados participam de cursos de serviços. A Setrab já capacitou 30 mil pessoas e a meta é capacitar outros 15 mil trabalhadores até o final do ano.
O secretário adjunto de Trabalho, Gustavo Brum, explicou que a escolha dos cursos é feita após uma análise nas regiões administrativas. “Cada cidade tem sua necessidade específica. Os cursos são focados para atender às demanda do mercado”, afirmou. “Uma parceria com empresas privadas garante a contratação de, pelo menos, 30% dos desempregados capacitados pelos projetos da Setrab”, afirmou Brum.
Moradora de Sobradinho II, Janaína Lima, 19 anos, esteve na Agência do Trabalhador, no Setor Comercial Sul, nesta quarta-feira (25), em busca do primeiro emprego. A agência intermedia vagas disponíveis entre as empresas e os candidatos. “Tenho vários amigos que conseguiram um emprego aqui. Agora que terminei o segundo grau chegou a minha vez”, disse.
Dados anuais
Em 12 meses, a taxa de desemprego total recuou de 15,9% para 13,7%. Neste período foram criadas 58 mil novas vagas no Distrito Federal, número que superou as 31 mil pessoas que ingressaram na faixa da População Economicamente Ativa (PEA).
No mesmo período, o contingente de desempregados diminuiu em 26 mil pessoas. O tempo médio de procura por um trabalho recuou de 57 semanas, em junho de 2009, para 47 semanas no mesmo mês de 2010.
Entre julho de 2009 e 2010, o nível ocupacional expandiu-se 5%. O setor de atividades que mais aumentou a oferta de postos de trabalho no período foi a indústria, com 10,9% de aumento. Em seguida vem o setor de serviços, com 7,8%, e o comércio, com 6,9%.
As informações da PED mostram também que o rendimento médio real dos ocupados aumentou nas cidades pesquisadas. O Distrito Federal tem o maior rendimento médio, ou seja, R$ 1.901 de renda mensal. Em segundo lugar vem Belo Horizonte com R$ 1.364 de renda média mensal, seguido por São Paulo, em terceiro, com R$ 1.320.