A desaceleração da economia mundial, cuja tendência deve prosseguir em 2012, conforme previsões da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) pode trazer reflexos positivos para o Brasil. Mesmo podendo sofrer os impactos da turbulência global, o país pode aproveitar essa crise para atrair investimentos estrangeiros.
De acordo com o presidente do IBEF-PR (Instituto Brasileiros de Executivos de Finanças no Paraná), Luiz Antonio Cavet, o cenário se mostra positivo para atrair recursos externos antes destinados a outros mercados, que agora passam por oscilação. “Se hoje os estrangeiros alocadores de capital não conhecem muito bem as características locais, é inocência pensar que eles não conhecem setores econômicos no Brasil. Conhecem e muito bem. O que inibe investimento é o ambiente burocrático de entrada e saída do capital, mudança de regras, privilégios, custo fiscal da mão-de-obra e controle de mercados”, avalia. Conforme relatório da OCDE, existe forte tendência de que China e Estados Unidos também passem por desaceleração, mas de maneira mais suave. Cavet aposta que o desaquecimento da economia da China é um dos pontos de atenção da economia no cenário mundial em relação à redução da pressão dos preços das commodities. “Já na Europa, que seguirá 2012 com níveis de risco elevados, o dólar será fortalecido em relação a moedas, que trará como carona a volatilidade. As consequências disso para o Brasil serão visíveis na balança comercial com a Europa e na redução da taxa de juros locais para importação e exportação dos produtos brasileiros”, assinala o presidente do IBEF-PR.
Conforme relatório do Banco Central (BC), a perspectiva de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) deve se situar em torno de 3,5% em 2012, enquanto a projeção para a inflação em 2012 foi elevada de 5,28% para 5,30%, o que sinaliza para possíveis aumentos da taxa básica de juros. Investimento na Copa do Mundo terá efeito positivo no mercado interno. De acordo com o relatório, se a desaceleração do crescimento da economia brasileira for mais forte do que a esperada, o cenário externo continua a ser um fator-chave para determinar os próximos passos do Copom e do comportamento da atividade econômica no Brasil. “O spread (diferença entre o custo de captação dos bancos e a taxa efetiva cobrada dos clientes) tende a subir, enquanto os mercados de ações e de dívidas devem ficar menos atrativos”, prevê Cavet.
Por outro lado, ele acredita que há perspectivas positivas para investimentos em infraestrutura, crescimento da economia e inclusão social. “Com menos juros e incentivos, o governo escolherá setores para agir, como, por exemplo, o Programa Minha Casa Minha Vida e no campo doméstico os investimentos em infraestrutura seguirão causando impactos positivos, tais como Copa do Mundo, PAC, investimentos do pré-sal, entre outros”, completa.
No entanto, Cavet alerta as empresas para que fiquem atentas à liquidez e a possíveis medidas de ajuste fiscal por parte do governo, como a possível volta da CPMF. “Setores como o de tecnologia, óleo, gás, educação, saúde, varejo e construção figuram entre as áreas promissoras para receber investimentos em 2012 com possibilidades de retorno e sem muitos riscos”, aposta ele.