NATHALIA GARCIA
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)
O Copom (Comitê de Política Monetária) disse que a inflação continua pressionada pela demanda e que esse cenário requer juros em um nível alto o suficiente para contrair a economia, segundo ata divulgada pelo Banco Central nesta terça-feira (11).
Apesar do alerta, a autoridade monetária reconheceu que a política de juros está contribuindo para a desaceleração da inflação e tem ajudado a esfriar a atividade econômica.
“O Comitê avalia que as evidências de transmissão da política monetária contracionista para a atividade econômica têm se acumulado gradualmente. Embora a política monetária esteja contribuindo de forma determinante para o processo de desinflação, a inflação permanece pressionada pela demanda, exigindo que a política monetária mantenha caráter restritivo”, afirmou.
No cenário de referência do Copom, a estimativa de inflação para este ano caiu de 5,2% para 5,1%. Para 2027, a projeção subiu de 3,7% para 3,8%. O comitê incluiu sua expectativa para o primeiro trimestre de 2028, de 3,2% pouco acima do centro da meta.
O alvo central do BC é 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.
No atual modelo, de avaliação contínua, o objetivo é considerado descumprido quando a inflação acumulada permanece durante seis meses seguidos fora do intervalo de 1,5% (piso) a 4,5% (teto).
Na última quarta-feira (5), o Copom cortou a taxa básica de juros (Selic) em 0,25 ponto percentual pela quarta vez seguida, de 14,25% para 14% ao ano. O recuo consolidou um dos ciclos mais suaves de queda de juros no Brasil desde a criação do sistema de metas para a inflação, em 1999.
Na ata, o colegiado não antecipou seus próximos passos e disse que o tamanho total do ciclo de queda de juros será estabelecido “à luz da evolução do cenário, de forma a manter a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta.”
A Selic acumula queda de 1 ponto percentual desde o início do processo de flexibilização de juros, em março. Com quatro cortes de mesma intensidade (0,25 ponto), a taxa básica chega ao menor patamar desde março do ano passado, quando estava em 13,25% ao ano.