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Economia

Defesa de Vorcaro diz que arquivos de celular foram modificados e questiona provas de investigação

Documento é usado pelos advogados para questionar a higidez das provas usadas pela Polícia Federal nos inquéritos que investigam o ex-banqueiro

Redação Jornal de Brasília

29/10/2026 20h02

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Daniel Vorcaro durante depoimento à Polícia Federal. Foto: Divulgação

JOSÉ MARQUES E CONSTANÇA REZENDE
FOLHAPRESS


Os advogados de Daniel Vorcaro, do Banco Master, apresentaram nesta quinta-feira (29) ao STF (Supremo Tribuanl Federal) o resultado de uma perícia preliminar contratada pela defesa que aponta supostas modificações no celular do ex-banqueiro após a apreensão, em novembro do ano passado.

O documento é usado pelos advogados para questionar a higidez das provas usadas pela Polícia Federal nos inquéritos que investigam Vorcaro e para pedir que o órgão apresente dados que, segundo eles, têm sido solicitados desde fevereiro.

Na petição enviada ao Supremo, a defesa diz que os pontos levantados pelo perito implicam “necessariamente que a liberdade [de Vorcaro] seja restabelecida” porque consideram que não é razoável que ele continue preso enquanto não houver um exame mais profundo do conteúdo do telefone.

Procurada, a assessoria da PF não quis se pronunciar sobre a acusação.

O pedido também abre caminho para que a equipe de advogados questione, mais à frente, as provas da investigação e tentem anular as apurações que têm como alvo o ex-banqueiro.

“Esse aparelho é a prova central da Operação Compliance Zero. Dele saíram as conversas que sustentam a investigação e as conversas íntimas e com advogados que acabaram divulgadas pela imprensa”, diz a defesa, em nota divulgada à imprensa também nesta quinta.

“A perícia foi solicitada em virtude de Daniel Vorcaro não reconhecer a veracidade de vários dos conteúdos vazados.”

A perícia contratada pela defesa afirma que o celular foi manuseado depois de apreendido, em 17 de novembro de 2025, com 33 ativações da câmera frontal e três conexões pela saída USB.

“Registros de senhas foram criados ou modificados entre 2h03 e 2h25. Nada disso consta do termo de apreensão. O aparelho registrou atividade durante a madrugada, enquanto estava nas mãos do Estado, e não há um documento sequer que diga quem o manuseou, por que e com que resultado”, diz a defesa.

Segundo eles, foram criados e modificados centenas de arquivos já com o celular apreendido, e que alguns deles estão datados seis meses depois da extração do conteúdo, que aconteceu em 19 de novembro do ano passado.

No material enviado ao Supremo, a defesa pede “que os dados brutos originais da extração sejam imediatamente preservados, sob custódia verificável, com os registros técnicos da coleta, os valores de hash e a documentação completa da cadeia de custódia”.

Eles solicitam que esse material seja entregue à defesa, junto a outros documentos, como os registros fotográficos de lacres de quando o equipamento foi apreendido e o registro de posse e manuseio do aparelho entre a abordagem policial e a perícia.

Nesta quarta-feira (28), a PF concluiu o primeiro inquérito sobre suspeitas relacionadas ao Master, e indiciou Vorcaro e outras 14 pessoas por suspeitas de crimes financeiros na venda de carteiras de crédito ao BRB (Banco de Brasília).

A Vorcaro são atribuídas suspeitas dos crimes de gestão fraudulenta, de fraude à fiscalização, de lavagem de dinheiro, de indução ou manutenção em erro sobre operação financeira e de participar de organização criminosa.

O documento da PF tem mais de 700 páginas e foi entregue ao Supremo.

Nele, a PF diz que, “sob perspectiva jurídico-penal, os elementos são compatíveis, em tese, com participação em atos de gestão fraudulenta do BRB, na medida em que as sucessivas aprovações contribuíram para manter e ampliar operações bilionárias mediante postergação, flexibilização ou esvaziamento dos controles internos”.

A conclusão do órgão, diz o texto assinado por quatro delegados, “considera individualmente o conteúdo entregue antes de cada votação, o tempo disponível para análise, as atribuições funcionais de cada diretor, as manifestações eventualmente produzidas fora das atas e o grau de consciência sobre a insuficiência dos ativos.”

Daniel Vorcaro está preso na Papudinha, como ficou conhecido o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal.

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