São Paulo, 11 – O diretor de Pesquisa Econômica do Banco Pine, Cristiano Oliveira, disse na quinta-feira, 10, durante o Pine Talks, encontro com jornalistas do banco, que continua com uma visão construtiva para a economia brasileira pelos próximos cinco, dez anos. Isso, de acordo com ele, porque, apesar das intempéries, o cenário externo continua extremamente positivo para o Brasil.
“Temos alguma cautela, mas é quando pensamos em médio e longo prazo, se não alcançarmos o equilíbrio fiscal”, disse Oliveira.
De acordo com ele, mesmo com Trump, o Produto Interno Bruto (PIB) no Brasil terá crescimento médio acima dos últimos 40 anos A inflação no Brasil está próxima da global, que está em torno de 4% desde a pandemia da covid. “A inflação global subiu e a nossa caiu”, disse.
Outro ponto que, de acordo com Oliveira, o faz se sentir otimista é que Brasil consegue ser, geopoliticamente, pendular. “E isso tem de ser exercitado pelo governo. Não faz sentido ser aliado incondicional do EUA e nem da China, como Arábia Saudita, por exemplo. O Brasil consegue transitar entre os dois blocos”, observou o diretor do Pine.
De acordo com ele, atualmente a geopolítica e a geo-economia importam mais para os mercados do que política monetária ou indicadores econômicos.
De qualquer forma, segundo Oliveira, dificilmente a inflação voltará à meta de 2% no mundo e isso vai ter implicações nas economias do mundo e brasileira.
Atividade
O cenário internacional, e principalmente o agro, serão as molas propulsoras do crescimento do PIB no primeiro trimestre de 2025, previu Cristiano Oliveira. Neste cenário, de acordo com Oliveira, o PIB no primeiro trimestre deverá crescer 1,6% com PIB Agropecuário avançando 14,3%.
“O PIB do primeiro trimestre ex-agro cresceria apena 0,7%, calculou Oliveira, fazendo a ressalva de que se houver algum desvio entre sua previsão e o resultado efetivo do PIB, esse poderá ocorrer na área das proteínas, porque o preço do boi subiu muito e está refletindo em uma demanda menor pela carne. A indústria, pelo menos no 1º trimestre, vai correr na contramão do agro e deve cair 0,5%.
Para o ano, Oliveira prevê o PIB crescendo 2,1% este ano ante 3,4% no ano passado. Nesta métrica, ele prevê o PIB Agropecuário subindo 8,5%.
Atividade
Para a política monetária, o Pine prevê mais uma alta de 0,5 ponto porcentual, para 14,75% ao ano.
“Desde que o Copom fez o Forward Guidance de 3 pontos porcentuais nós estamos com 3,5 pontos. Já foram 3 pontos e só falta 0,5 ponto. Estamos mais baixistas que o mercado”, disse Oliveira, que para a inflação projeta para este ano 5,1%.
Estadão Conteúdo