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Economia

Cresce número de brasilienses que possuem mais de uma ocupação

Arquivo Geral

02/07/2009 0h00

 


Trabalhar muito virou rotina para quem quer ter uma maior fonte de renda. Mesmo com um emprego principal, troche a segunda ocupação é comum para as pessoas que pretendem melhorar a qualidade de vida. Desde 2007, page o número de pessoas no Distrito Federal que possuem mais de uma ocupação aumentou, viagra segundo a Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), elaborada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).


Em 2007, do número de pessoas que possuíam um emprego, 4,7% também tinham uma outra atividade. Em 2008, esse número cresceu para 5,3% e, em 2009 (até maio), esse número atinge a casa de 5,7%. Isso significa dizer que cerca de 62 mil brasilienses reforçam o orçamento com uma segunda atividade. Esse aumento reflete a necessidade dos moradores do DF de procurarem outras formas de ganhar dinheiro, para manter a qualidade de vida e melhorar a situação financeira das famílias.


De acordo com especialistas, quem pretende reforçar a renda doméstica deve aproveitar, em primeiro lugar, os talentos e habilidades que têm. Quem não tem, pode procurar a ajuda de cursos. A Secretaria de Trabalho, por exemplo, oferece cursos de qualificação dos artesãos por meio de oficinas, seminários e workshops, além de encaminhar a pessoa, se for o caso, para o acesso às linhas de crédito assistido e estimular a organização de associações e cooperativas.


Além disso, a secretaria oferece outros cursos de capacitação por meio do Projeto Plano de Serviço, de qualificação profissional, com objetivo de preparar e inserir no mercado de trabalho 9.247 mil pessoas. Os cursos têm duração de 50 dias. Outros cursos também são oferecidos pelo Sebrae para pequenos empresários, que também auxilia as pessoas que querem montar seu próprio negócio a se tornarem empreendedores individuais. São aulas sobre lucratividade até dicas de atendimento.


Entre o quadro e o tabuleiro
O delicioso cheiro vindo da casa da professora Virgínia da Silva Vidal, 57 anos, logo denuncia a variedade dos doces feitos por ela. Por dia, faz cerca de 30 bolos para vender. Os preços variam entre R$ 14 e R$ 20. Ela chega a tirar, em um dia de vendas, até R$ 350. Os bolos, quando não são encomendados, são vendidos em escolas, hospitais e outros locais onde Virgínia já trabalhou. “A gente cria uma confiança. As pessoas me conhecem e compram os bolos e aí vão espalhando para outras pessoas”, explica.


A dedicação veio da necessidade. Virgínia começou a fazer os bolos em 2003, motivada por duas amigas. Ela precisava de um complemento para a renda, que estava apertada. O salário de professora não era suficiente para pagar o cursinho pré-vestibular da filha. “Os bolos que eu vendia no Colégio Militar e na Fundação Educacional, lugares onde trabalhei, pagavam as parcelas do cursinho”, lembra.


A rotina era puxada. “Eu passava a madrugada fazendo os bolos para vender de manhã”, conta a professora. A ótima venda também possibilitou à professora a trocar de carro. “Eu tinha um Gol velho, que sempre dava problema. Com a venda dos bolos, consegui pagar as prestações”. A aposentadoria de Virgínia saiu esse ano e ela nem cogita a possibilidade de parar de fazer os bolos. Além de ajudar a melhorar a renda, se tornou um hobby. “Adorei dar aula, me realizei no magistério, mas também adorei fazer os bolos, foi um dom que recebi. Agora que me aposentei, não vou ter mais problemas com horário”, diz.


Hobby que dá dinheiro
A servidora pública Maria Helena de Mauro Santos, 54 anos, consegue melhorar um pouco sua renda vendendo bijouterias. A confecção começou como um hobby, há três anos. “Eu vi um colar em uma vitrine e pensei que podia fazer algo igual. Aí comecei a procurar cursos para fazer bijouterias”, lembra ela. O incentivo veio com a mãe. “No Natal, ela comprava presentes para as noras aí ela resolveu pedir uma encomenda para mim. As pessoas gostaram tanto que sempre fazem encomendas agora”, lembra.


O preço das bijouterias pode variar entre R$ 20 e R$ 100, dependendo do material. As de couro, por exemplo, são mais caras. Mesmo com o material caro, as bijuterias dão lucro. “A venda já me ajudou a pagar a prestação do apartamento”, lembra Maria Helena. Para atender a crescente demanda de encomendas, a funcionária pública passa o fim de semana e as noites livres fazendo os colares e pulseiras. Ela acredita que o esforço compensa. “Não fico no prejuízo com o artesanato. Sempre consigo tirar lucro”, destaca.


Alto custo de vida
Segundo o economista e professor de Finanças Públicas da Universidade de Brasília (UnB), Roberto Piscittelli, Brasília é um lugar difícil de se viver sem que a pessoa tenha mais de um emprego. “O segundo emprego é um mecanismo de defesa, já que a pessoa se acostuma a ter um custo de vida alto na cidade. Tudo isso explica a necessidade de se obter um status e de dar aos filhos o máximo que se pode”, explica.


Outro problema que leva as pessoas a tentarem outras formas de ganhar dinheiro é a constante preocupação com o futuro, em especial com a aposentadoria. “A previdência foi vilipendiada. Devido a isso, as pessoas têm necessidade de formar outros fundos”, explica.


Piscitelli afirma que a complementação da renda já virou marca registrada da cidade: “Em Brasília, ao contrário do que se pensa, se trabalha muito. O custo de vida aqui é muito alto e as pessoas não querem perder a qualidade de vida”. A enfermeira Daniela Lemos, 32 anos, sabe muito bem o que é a necessidade de se ter mais de uma ocupação. Ela já chegou a trabalhar em três hospitais, o que foi possível graças às escalas. “Foi assim que consegui comprar meu carro”, diz ela, que hoje trabalha em dois hospitais.


 








  SAIBA +
O professor de Economia Roberto Piscittelli dá algumas dicas para quem quer arriscar uma segunda ocupação.

Para começar, o ideal é arrumar um emprego flexível, algo que possa ser feito com disponibilidade de tempo. De preferência, também deveria ser algo possível de se fazer em casa, que não precise sair para um local específico para traba lhar.

A venda de bijouterias e bolos é um bom exemplo de ocupações que podem ser feitos em casa e com o tempo que a pessoa tem disponível fora do traba lho.

Mais informações podem ser obtidas na página do Sebrae, no endereço www.df.sebrae.com.br.


 


 


 


 


 


 


 


 


Você, leitor!


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