Lara Cristina
O Ministério do Planejamento garante que o corte de R$ 21,805 bilhões no Orçamento, anunciado na semana passada, não deverá afetar concursos, nomeações, reajustes e planos de carreira que já estavam previstos. Mas, a informação de quais os setores serão afetados pela medida e o impacto gerado só será divulgado no fim deste mês. E sindicatos e entidades representativas dos servidores públicos temem que novas negociações sejam prejudicadas depois de o ministro Paulo Bernardo dizer que, nesses casos, manterá postura restritiva.
O secretário-geral do Sindicato dos Servidores Públicos Federais no Distrito Federal (Sindisep-DF), Oton Pereira Neves, afirmou que, mesmo após o ministro declarar restrição às novas negociações, ele vai insistir. “Vamos continuar brigando pelas discussões que estão em aberto. Há uma enorme distorção salarial e de benefícios do Executivo com relação ao Legislativo e Judiciário”, critica.
Para Oton, não há como o governo não fazer a reposição da força de trabalho. “Que hoje é a mesma desde 1995, quando o número de pessoas já era insuficiente”, revela. “Vamos brigar para que esse corte no Orçamento seja canalizado ao pagamento dos juros da dívida pública e não para os servidores”.
Na opinião do secretário-geral, o deficit de trabalhadores públicos é tão grande que necessitaria do dobro do número atual. “A população brasileira cresceu nos últimos anos e é preciso de mais pessoal. Um exemplo claro disso é o surto de dengue desencadeado por falta de agentes de saúde para atuar na prevenção. Mas, o governo prefere responsabilizar o povo pelo problema.”
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