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Economia

Correios formalizam pedido de novo empréstimo de R$ 7 bi com quatro bancos

Solicitação ocorre dias após empresa registrar prejuízo de R$ 2,4 bilhões no segundo trimestre

Redação Jornal de Brasília

10/09/2026 13h51

correios

Foto: Agência Brasil

IDIANA TOMAZELLI E ADRIANA FERNANDES
FOLHAPRESS


Os Correios pediram formalmente a garantia soberana a um novo empréstimo de R$ 7 bilhões. A operação será contratada junto a quatro bancos privados (Banco ABC, Citibank, Deutsche Bank e J.P. Morgan) e terá custo de 114,26% do CDI (Certificado de Depósito Interbancário).

A solicitação foi feita na última quinta-feira (3), dias após a empresa divulgar um prejuízo de R$ 2,4 bilhões no segundo trimestre, um resultado levemente melhor do que em igual período de 2025.

O pedido de garantia está sob análise do Tesouro Nacional. A concessão do aval significa que a União honrará os pagamentos em caso de inadimplência —o que contribui para tornar a operação atrativa aos bancos e reduzir os custos.

O novo crédito já era previsto dentro do plano de reestruturação da companhia, que precisou do socorro da União após enfrentar graves dificuldades financeiras e ficar sob risco de furo no caixa no ano passado.

Além de ser fiador dos empréstimos, o governo ainda injetará na empresa R$ 6 bilhões em recursos públicos em 2027.

A taxa de 114,26% do CDI equivale hoje a juros próximos a 16% do ano. É um custo inferior ao do primeiro empréstimo, no valor de R$ 12 bilhões, contratado em dezembro de 2025 a uma taxa de 115,13% do CDI.

O prazo do contrato será de 15 anos, dos quais os três primeiros serão de carência, sem cobrança de prestações. É o mesmo formato adotado no primeiro crédito. Nessa modalidade, o custo máximo da operação permitido pelo Tesouro seria de 120% do CDI.

O diagnóstico inicial da atual gestão dos Correios previa uma necessidade total de R$ 20 bilhões, mas a empresa informou ao Tesouro que esse valor caiu a R$ 19 bilhões (ou seja, redução de R$ 1 bilhão) devido à melhora na posição de caixa observada no fim do ano passado.

A companhia atribuiu esse desempenho à implementação de medidas destinadas ao reequilíbrio financeiro da empresa, como a renegociação e o parcelamento de dívidas acumuladas anteriormente, sobretudo com fornecedores.

Segundo documentos obtidos pela reportagem, o novo sindicato de bancos foi fechado ainda no mês de julho.

Como mostrou a reportagem, registros públicos já mostravam que, em 17 de junho, integrantes da área financeira dos Correios se reuniram com representantes do Deutsche Bank, Citibank, J.P. Morgan e ABC. O compromisso foi descrito como uma reunião entre “Correios e Sindicato do Bancos”, cujo tema era a “revisão de algumas condicionantes apresentadas na proposta para empréstimo”.

Antes disso, a empresa fez uma primeira rodada de negociações com Citibank, ABC e Banco Pine, mas as propostas ou não chegaram no valor almejado, ou foram descartadas devido a obstáculos na estrutura da operação.

A exemplo da primeira operação, o contrato terá cláusulas que obrigam a empresa a “envidar melhores esforços” para obter um aporte de ao menos R$ 6 bilhões da União até o fim do ano que vem. O valor já está reservado no Orçamento. Outra exigência é a quitação do contrato de crédito em caso de privatização da companhia no futuro, algo que já constava no primeiro contrato e costuma ser praxe em negociações do tipo.

O Tesouro precisa analisar a capacidade de pagamento dos Correios para conceder ou não a garantia. No ano passado, o governo precisou flexibilizar regras para permitir à empresa pleitear os empréstimos com base nos resultados esperados de seu plano de reestruturação, já que, sem isso, ela não teria capacidade de pagamento suficiente para receber o aval.

Nesta etapa, a tendência é que os técnicos adotem cautela no rito de análise e tomem o tempo necessário para a avaliação das informações.

Após o primeiro crédito, o TCU (Tribunal de Contas da União) abriu um processo para apurar a eventual responsabilidade de gestores do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), inclusive servidores do Tesouro, por considerar que a análise de risco não foi feita com a profundidade requerida em casos dessa magnitude.

Como mostrou a Folha de S.Paulo, a garantia foi concedida apenas dois dias após o envio formal do contrato ao Tesouro Nacional. O TCU ressaltou que a versão definitiva do plano foi encaminhada apenas três dias antes da tomada de decisão. Para o tribunal, houve apenas verificação formal da existência de fluxos de caixa, e a rapidez da análise não foi condizente com sua complexidade.

Como o pagamento em dia das prestações dependerá do sucesso do plano, a corte de contas esperava que o governo fizesse uma análise mais detalhada de sua consistência, inclusive avaliando as premissas adotadas. Na visão da corte de contas, isso não aconteceu, o que levou a União a assumir um “risco fiscal relevante”.

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