GUILHERME W. ALMEIDA
FOLHAPRESS
A Corregedoria Nacional de Justiça afastou o juiz Paulo Furtado de Oliveira Filho, responsável pelo processo de falência do Banco Santos. A decisão ocorreu após a divulgação de gravação na qual o magistrado sugere aos herdeiros que vendessem suas partes na instituição ao Banco Master, de Daniel Vorcaro.
Com a decisão do corregedor-nacional de Justiça, o ministro do STJ (Superior Tribunal de Justiça) Mauro Campbell, o juiz está suspenso por tempo indeterminado. Segundo pessoas com conhecimento do processo, o caso será apreciado pelo plenário do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) na próxima terça-feira (18).
A reportagem tentou contato com Oliveira Filho por meio da 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Comarca de São Paulo e da assessoria do Tribunal de Justiça, mas não teve retorno até a publicação deste texto.
No áudio, publicado pelo jornal O Estado de S. Paulo nesta quarta (12), Oliveira Filho propõe aos herdeiros de Edemar Cid Ferreira, ex-controlador do Banco Santos morto em 2024, um acordo para encerrar o processo de falência. Além disso, recomenda a troca de advogados e indica possíveis nomes para a função. Segundo a reportagem, a conversa entre o juiz e os herdeiros do banco foi em agosto de 2024.
O juiz negou ao jornal qualquer irregularidade e afirmou dar atendimento igualitário às partes.
A Apamagis (Associação Paulista de Magistrados) publicou nota de repúdio à gravação da conversa do magistrado. Segundo a entidade, condutas como essa são feitas para constranger, pressionar e deslegitimar os juízes.
“Independentemente de quem a produziu ou das razões invocadas para justificá-la, a captação sub-reptícia de diálogos nesse ambiente compromete a serenidade indispensável ao exercício da função jurisdicional, expõe magistrados a risco permanente e fragiliza a própria independência do Judiciário -valor que interessa a toda a sociedade, e não apenas à magistratura”, diz a entidade.
Em 12 de novembro de 2004, o Banco Central interveio na instituição depois de constatar que não cumpria normas básicas, como o recolhimento compulsório -parcela dos depósitos dos clientes que as instituições financeiras são obrigadas a recolher no BC. À época, o Santos era o 21º maior banco do país.
Em 4 de maio do ano seguinte, o BC anunciou a liquidação da instituição.
No mês passado, o ministro Campbell suspendeu o processo de falência do Banco Santos e pediu o afastamento do administrador judicial do caso.
Segundo Campbell, a determinação se deu para proteger o patrimônio da massa falida contra possíveis danos por quebra de confiança e moralidade da gestão.
O espólio do banqueiro Edemar Cid Ferreira queria também o afastamento de Oliveira Filho, mas o pedido não foi atendido por Campbell.
Nos autos do processo, Oliveira Filho defendeu ao ministro a eficiência e a regularidade do processo, destacando a venda de aproximadamente R$ 3,5 bilhões em ativos e o pagamento de quase 2.000 credores.
Oliveira Filho argumentou que os custos da falência do Banco Santos são os menores do mercado brasileiro e atribuiu a demora de duas décadas no trâmite ao “abuso do direito de recorrer” exercido pelo próprio espólio.
Corregedoria afasta juiz do caso Banco Santos após áudio com sugestão de venda ao Master
Decisão ocorre após divulgação de gravação em que o magistrado propõe acordo e indica troca de advogados durante processo de falência do Banco Santos
Foto: Reprodução/CNJ