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Economia

Copom reforça cautela em ata sobre corte da taxa Selic

Na ata publicada ontem, o colegiado repetiu que a decisão de cortar a Selic é compatível com a estratégia de convergência da inflação para ao redor da meta ao longo do horizonte relevante

Redação Jornal de Brasília

05/05/2026 22h27

banco master

Foto: Divulgação/Banco Master

Brasília, 5 – Ata do Comitê de Política Monetária (Copom) divulgada ontem pelo Banco Central reforça a necessidade de cautela e reafirma que, em função da guerra no Oriente Médio, decisões sobre cortes da Selic serão tomadas a cada nova reunião do colegiado. No encontro da semana passada, a taxa básica de juros sofreu corte de 0,25 ponto porcentual, de 14,75% para 14,50%.

“No cenário atual, caracterizado por forte aumento da incerteza, o comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária, de forma que os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros possam incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo”, disse.

Foi a segunda redução seguida da taxa básica de juros. Na reunião anterior, em março, o Copom havia dado início ao ciclo de “calibração” ao levar os juros de 15% para 14,75% – o primeiro corte em quase dois anos.

Na ata publicada ontem, o colegiado repetiu que a decisão de cortar a Selic é compatível com a estratégia de convergência da inflação para ao redor da meta ao longo do horizonte relevante. O Copom afirmou que as últimas divulgações de inflação, tanto ao consumidor quanto ao produtor, mostraram sinais claros de efeitos dos conflitos geopolíticos no Oriente Médio, “situando-se em valores significativamente acima dos inicialmente esperados”.

CONFLITO

O Copom afirma que o movimento de queda das expectativas de inflação foi interrompido pelo conflito no Oriente Médio, que levou a um aumento. “Desde a reunião anterior, ficou evidente uma desancoragem adicional das expectativas de inflação para horizontes mais longos, em particular para o ano de 2028”, diz a ata.

O Copom afirmou que julgou apropriado dar sequência ao ciclo de “calibração” da Selic, na medida em que o período prolongado de manutenção dos juros em patamar contracionista propiciou evidências da “transmissão” da política monetária sobre a desaceleração da atividade econômica.

REPERCUSSÃO

O BTG Pactual avalia que a ata do Copom trouxe elementos ligeiramente mais “hawkish” (duros) do que o comunicado da semana passada, por três pontos: explicitar a desancoragem adicional das expectativas em horizontes mais longos, em especial 2028; destacar que as leituras recentes de inflação vieram significativamente acima do esperado; e reafirmar o compromisso de combater efeitos de segunda ordem do choque de petróleo.

Segundo a equipe de economistas do Bradesco, a ata trouxe poucas novidades e reforçou a avaliação do BC de que os juros restritivos estão contribuindo para a moderação da atividade econômica doméstica

Já o economista Marco Antonio Caruso, do Santander, considera que a ata aumenta o risco de uma pausa antecipada nos cortes da Selic e reforça a probabilidade de um ciclo de afrouxamento mais curto. Com isso, acrescenta, vai revisar sua estimativa para a taxa Selic.

O Copom pareceu confiante, na ata da reunião de abril, a respeito da possibilidade de continuar reduzindo a Selic nas próximas reuniões, mas não demonstrou disposição em alterar o ritmo de cortes da taxa, segundo relatório divulgado pelo Itaú Unibanco. (Colaboraram Caroline Aragaki, Daniel Tozzi e Gustavo Nicoletta)

Estadão Conteúdo 

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