O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidirá nesta quarta-feira (28) se mantém a taxa Selic em 15% ao ano, o maior nível desde julho de 2006. A decisão vai ser tomada em uma reunião desfalcada, devido à expiração dos mandatos dos diretores Renato Gomes, de Organização do Sistema Financeiro, e Paulo Pichetti, de Política Econômica, no final de 2025. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve indicar substitutos apenas em fevereiro, com a volta do Congresso Nacional.
A manutenção da Selic ocorre em um contexto de inflação desacelerando, embora preços de serviços continuem pressionados. De acordo com a ata da última reunião, em dezembro, o Copom sinalizou que a taxa será mantida por tempo prolongado para assegurar a convergência da inflação à meta de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual (entre 1,5% e 4,5%). O cenário é marcado por elevada incerteza, exigindo cautela na política monetária.
Analistas de mercado, conforme o boletim Focus, previam a estabilidade da taxa até março. No entanto, a recente queda do dólar para cerca de R$ 5,20 elevou as chances de um corte já em janeiro. A prévia do IPCA-15 registrou 0,2% em outubro, acumulando 4,5% em 12 meses, no teto da meta. A estimativa de inflação para 2025 caiu para 4,4%, segundo o Focus.
A Selic, principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação, influencia as taxas de crédito e a economia como um todo. Elevações anteriores, de setembro de 2024 a junho de 2025, foram seguidas de quatro reuniões sem alterações. O Copom, composto pela diretoria do BC, reúne-se a cada 45 dias para analisar dados econômicos nacionais e internacionais.
Sob o novo sistema de meta contínua, em vigor desde janeiro de 2025, a inflação é monitorada mensalmente com base em 12 meses acumulados. O Banco Central projeta o IPCA em 3,5% para 2026, com revisão prevista para março no próximo Relatório de Política Monetária.