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Economia

COP17 busca ampliar financiamento para restauração e combate à seca

Na semana decisiva da conferência em Ulaanbaatar, novos anúncios somam US$ 1,3 bilhão, mas o valor ainda fica muito abaixo da necessidade estimada pela ONU.

Redação Jornal de Brasília

24/08/2026 9h48

cop 17

cop 17 – Foto: © UNCCD/Kiara Worth

A 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17) entrou na última e decisiva semana de negociações em Ulaanbaatar, capital da Mongólia, com foco em destravar recursos para restauração de solos e combate à seca. Os próximos quatro dias do encontro serão divididos em eixos temáticos específicos para tentar acelerar acordos.

Nesta segunda-feira (24), o tema central é o financiamento. Delegações buscam ampliar os recursos destinados à restauração dos solos e ao enfrentamento da seca, mas os anúncios feitos ao longo do dia ainda estão muito abaixo do necessário. Os novos recursos somam US$ 1,3 bilhão, enquanto o déficit anual estimado pelos especialistas das Nações Unidas é de US$ 278 bilhões por ano.

A secretária executiva da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD), Yasmine Fouad, fez um apelo para que os setores público e privado se engajem no processo. “Falamos de financiamento não para doar, mas para investir. Para mobilizar recursos que invistam nas pessoas, nas economias e na prevenção. Prevenção dos conflitos que vemos em muitas das nossas áreas de pastagem. Queremos levar a resolução para além das palavras no papel e implementá-la na vida das pessoas”, afirmou.

O maior anúncio econômico da COP17 envolve as pastagens, que ocupam mais da metade da superfície terrestre e são fundamentais para a subsistência de centenas de milhões de pessoas. A Rangelands Flagship Initiative, lançada em parceria pelo governo da Mongólia e a UNCCD, reúne uma carteira de 45 projetos e está avaliada em US$ 1,2 bilhão. Segundo os organizadores, trata-se da maior mobilização financeira da história da Convenção voltada especificamente para esses ecossistemas.

A iniciativa pretende conservar, gerir de forma sustentável e restaurar pastagens e ecossistemas de terras secas em todo o mundo. O tema é central para a Mongólia, onde a conservação das estepes está diretamente ligada à sobrevivência de comunidades que dependem da criação de animais.

O especialista em economia ambiental do Mecanismo Global da UNCCD, Pablo Munõz, disse que o déficit financeiro exige novas formas de atuação. Entre as alternativas discutidas estão o uso de recursos públicos para reduzir riscos para investidores privados, garantias, capital de primeira perda, seguros e novos modelos de negócios. “Reconhecemos a importância das doações e do financiamento concessional [em condições mais favoráveis que as de mercado], mas a escala necessária exige pensar de forma diferente”, afirmou.

Atualmente, o setor privado responde por apenas cerca de 6% do financiamento global destinado à restauração de terras. Para tentar ampliar essa participação, a UNCCD anunciou uma rede de centros nacionais chamada Business4Land, voltada à aproximação entre empresas, governos e investidores.

A especialista em sustentabilidade no Mecanismo Global da UNCCD Sarah Toumi afirmou que empresas começam a enxergar que também sentirão os impactos ambientais. “Eles precisam mudar suas práticas para sobreviver do ponto de vista econômico, porque a seca e a degradação do solo representam um risco econômico, não apenas ambiental. Então, precisam pensar em como investir para o bem próprio”, disse.

Segundo ela, setores como agricultura, moda e alimentos dependem diretamente da saúde do solo e da disponibilidade de água. A ideia é que empresas passem a medir seus impactos sobre a terra e incluam a recuperação ambiental em suas estratégias de negócio.

Outra aposta da COP17 é ampliar os recursos destinados à preparação para os períodos de seca. O Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF) anunciou a criação de um programa integrado para gestão de terras, com previsão inicial de US$ 140 milhões.

A iniciativa pretende auxiliar países a abandonar uma lógica baseada na resposta a emergências e investir mais em prevenção, monitoramento e planejamento, explicou Ulrich Appel, representante do GEF. “Isso ajudará os países a ter um planejamento rodoviário nacional mais robusto, soluções baseadas na natureza e investimentos que fortaleçam a resiliência antes que a seca se torne um desastre”, disse.

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