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Economia

Consumo em supermercados cresce 1,92% no primeiro trimestre de 2026

O setor supermercadista registrou alta impulsionada pela antecipação de compras para a Páscoa e injeções de benefícios sociais, como Bolsa Família e PIS/PASEP.

Redação Jornal de Brasília

23/04/2026 13h49

supermercado economia ipca

Valter Campanato/Agência Brasil/Arquivo

O consumo dos brasileiros em supermercados registrou alta de 1,92% no primeiro trimestre de 2026, de acordo com balanço divulgado pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras).

No mês de março, o crescimento foi de 6,21% em relação a fevereiro e de 3,20% ante março do ano anterior. Os dados foram deflacionados pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do IBGE e abrangem todos os formatos de supermercados.

A Abras atribui o salto de março à antecipação de compras para a Páscoa, celebrada no início de abril, e ao efeito-calendário de fevereiro, que teve menos dias. Além disso, a entrada de recursos na economia contribuiu para o desempenho, com o Bolsa Família beneficiando 18,73 milhões de lares com R$ 12,77 bilhões e o segundo lote do PIS/PASEP injetando cerca de R$ 2,5 bilhões.

O indicador Abrasmercado, que acompanha os preços de 35 produtos de largo consumo, registrou alta de 2,20% em março, elevando o valor médio da cesta de compras de R$ 802,88 para R$ 820,54. No acumulado do trimestre, as variações anteriores foram de +0,47% em fevereiro e -0,16% em janeiro.

Entre os produtos básicos, o feijão teve a maior elevação, de +15,40% em março e 28,11% no trimestre, seguido pelo leite longa vida (+11,74% no mês e +6,80% no trimestre). Outros aumentos incluem massa sêmola de espaguete (+0,91%), margarina cremosa (+0,84%) e farinha de mandioca (+0,69%). Quedas foram observadas em açúcar refinado (-2,98%), café torrado e moído (-1,28%), óleo de soja (-0,70%), arroz (-0,30%) e farinha de trigo (-0,24%).

No grupo de proteínas, ovos subiram +6,65%, carne bovina no corte traseiro +3,01% e no dianteiro +1,12%, enquanto frango congelado (-1,33%) e pernil (-0,85%) caíram. No trimestre, o corte traseiro da carne bovina avançou 6,29%.

Alimentos in natura como tomate (+20,31%), cebola (+17,25%) e batata (+12,17%) tiveram as maiores altas em março, com acumulados de 45,43%, 14,06% e 14,04%, respectivamente, influenciados por sazonalidade e oferta.

Nos itens de higiene pessoal, avanços foram registrados em sabonete (+0,43%), xampu (+0,34%), papel higiênico (+0,30%) e creme dental (+0,13%). Na limpeza doméstica, detergente líquido para louças (+0,90%), desinfetante (+0,74%) e água sanitária (+0,38%) subiram, com queda apenas no sabão em pó (-0,29%).

Por regiões, o Nordeste teve a maior alta de +2,49%, com a cesta passando de R$ 720,53 para R$ 738,47. Seguem Sudeste (+2,20%, de R$ 822,76 para R$ 840,86), Sul (+1,92%, de R$ 871,83 para R$ 888,57), Centro-Oeste (+1,83%, de R$ 753,20 para R$ 766,96) e Norte (+1,82%, de R$ 875,01 para R$ 890,93).

Para o segundo trimestre, a Abras prevê alta no consumo devido à antecipação do 13º salário de aposentados e pensionistas do INSS, totalizando R$ 78,2 bilhões para 35,2 milhões de segurados a partir de 24 de abril. Também contribuirá o primeiro lote de restituições do Imposto de Renda de 2026, estimado em R$ 16 bilhões para 9 milhões de contribuintes até o final de maio.

O vice-presidente da Abras, Marcio Milan, destacou a necessidade de foco em competitividade de preços e eficiência operacional, diante de pressões logísticas e custos internacionais. A entidade alerta para riscos de alta em alimentos sensíveis a frete, clima e oferta, agravados pela elevação do petróleo e custos de transporte.

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