Sheila Oliveira
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O anúncio do reajuste no preço dos medicamentos tem tirado o sono da aposentada Dalva Matias de Paula, 81 anos. Os gastos com os seis remédios diários é maior do que o salário-mínimo de R$ 545. “Estou preocupada com o aumento dos preços, pois compro remédio todo mês. Pelas minhas contas, gasto R$ 600 mensalmente”, conta.
Segundo Assessoria de Imprensa da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (Cmed), responsável pelo anúncio do aumento dos remédios controlados pelo governo, que deve variar de 3% a 6%, todos os medicamentos terão reajuste, inclusive os genéricos. Fitoterápicos, homeopáticos e remédios vendidos sem a exigência de receita médica não estão incluídos.
A Cmed, órgão ligado à Agência Nacional de Vigilância Sanitária, no entanto, não sabe ao certo o percentual de reajuste de cada medicamento. A previsão da Associação Brasileira do Comércio Farmacêutico (ABCFarma) é de que 18 mil remédios tenham o preço reajustado a partir do próximo mês.
A equipe do Jornal de Brasília entrou em contato com a ABCFarma e com a Cmed para obter a lista dos medicamentos que terão reajuste, mas ambas as instituições só irão se pronunciar após a divulgação oficial da lista do governo. Ou seja, o documento que indicará os percentuais que serão aplicados a cada medicamento. Segundo Assessoria da Cmed, esse material deverá ser publicado até 30 de março.
Impacto negativo
“O impacto desse aumento vai pesar no bolso do consumidor. O índice de 6% não corresponde nem mesmo ao reajuste do salário-mínimo concedido recentemente”, analisa o economista Roberto Piscitelli.
Dalva reforça a tese apresentada por Piscitelli. “O gasto que tenho com medicação é maior do que a minha renda, que é de um salário mínimo. Preciso sempre contar com ajuda dos meus filhos para completar minha compra de remédios”, explica a aposentada.
“A pior parte desses reajustes é que eles atingem justamente quem necessita daquele produto, o que contribui para a sobrecarga do sistema de saúde”, aponta Piscitelli.
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