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Economia

Construção civil puxou alta do PIB

Arquivo Geral

24/11/2012 8h00

Fábio Magalhães

fabio.magalhaes@jornaldebrasilia.com.br


Oitavo colocado no ranking das maiores economias do Brasil, o Distrito Federal apresentou crescimento de 4,3% no Produto Interno Bruto (PIB) do ano de 2010. O índice, que é 0,3% maior que o do ano anterior, resultou em uma soma de R$ 149,906 bilhões movimentados, o equivalente a 4% da riqueza produzida no Brasil. O principal responsável por esta marca é o setor de serviços, que teve participação de 93,2% no PIB local. Porém, foi a indústria da construção civil, com uma alta de 14,1%, que puxou o crescimento da economia do DF em 2010. A alta do setor de serviços ficou em 3,4%.

Os dados fazem parte da pesquisa Contas Regionais do Brasil 2010, divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e pela Codeplan.

 

Realidade

 

O presidente da Codeplan, Júlio Miragaya, afirma que a realidade do Distrito Federal se difere das demais unidades federativas do País quando o assunto é economia, daí a força do setor de serviços na composição do PIB. Por aqui, o funcionalismo público tem um peso elevado na composição das receitas de faturamento. “Nossa composição é singular pelo fato de termos uma cidade pouco industrializada e a agropecuária com pouca contribuição. A administração pública tem um peso fortíssimo”, lembra.

 

Enquanto a agropecuária permaneceu sem muita expressão, o setor industrial mostrou-se em alta, mas também de forma tímida. Em 2010, esta vertente da economia teve elevação de 10,3%, alcançou a marca dos R$ 8,721 bilhões e contribuiu com 6,5% na formação do PIB do DF. 

 

Para Luiz Botelho, vice-presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Distrito Federal (Sinduscon-DF), os números do PIB de 2010 revelam um cenário positivo. No entanto, ele ressalta que o ritmo de crescimento não está sendo mantido. “O crescimento ocorrido ficou superior à expectativa produzida no ano anterior. Neste momento, ele não está mantendo a tendência, mas não está apresentando falta de crescimento. Está havendo um retardo”, diz.

 

Um ano de oportunidades


Os canteiros de obras foram os locais que mais contrataram em 2010, segundo os dados do IBGE e da Codeplan. Naquele ano, o número total de empregos formais atingiu a casa de 1,1 milhão, com a criação de 37,6 mil novos postos de trabalho. Neste cenário, a construção civil registrou crescimento de 11,5% nos empregos. 

 

Funcionário de uma construtora, o pedreiro Augusto Nascimento, 60 anos, é um dos que contribuíram para a composição dos índices de emprego e de desempenho da construção civil. Em sua visão, desde 2009 até o momento, não faltam vagas nos canteiros de obras, porque, segundo ele, o setor ainda está aquecido e vai exigir mais trabalhadores. 

 

“Temos construções em todos os locais de Brasília e a tendência só é aumentar. Quem quer trabalhar nesta área não falta oportunidade”, garante Augusto.

 

Sudeste perde em participação


Consideradas as regiões mais pobres do País, o Norte e o Nordeste aumentaram sua participação no PIB entre 2002 e 2010. No Norte, a participação subiu de 4,7% para 5,3% (aumento de 0,6 ponto percentual) e, no Nordeste, de 13% para 13,5% (alta de 0,5 ponto percentual). Segundo o estudo, no Centro-Oeste também houve aumento da contribuição, de 8,8%, em 2002, para 9,3%, em 2010 (elevação de 0,5 ponto percentual).

 

No mesmo período, diminuíram a participação no Produto Interno Bruto o Sul (de 16,9% para 16,5%, queda de 0,4 ponto percentual) e o Sudeste (56,7% para 55,4%, redução de 1,3 ponto percentual).

 

Oito estados continuam concentrando 77,8% das riqueza do País e São Paulo continua responsável pela maior contribuição, com 33,1%.

 

Ponto de vista

 

Economista da UnB, Roberto Piscitelli avalia o crescimento do PIB como um sinal positivo para a economia local. Em sua visão, se esse crescimento se repetir em outros anos, o DF terá bons índices de desenvolvimento. “Esse índice (4,3%) é relativamente elevado para uma região que depende principalmente do setor de serviços, que depende da renda do funcionalismo público. De modo geral, o crescimento não decepcionou, é bastante satisfatório e proporciona uma situação de estabilidade que os outros estados não têm. Por isso, o DF não sofre tantas oscilações econômicas como vemos no País”.

 

 

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