FOLHAPRESS
O Senado aprovou nesta quinta-feira (3) a MP (medida provisória) editada pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que reduz, de 45 para 30 dias, o prazo de espera para que benefícios como aposentadorias e pensões possam ser incluídos na fila prioritária de análises do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) e da Perícia Médica Federal.
O texto -que passou mais cedo pela Câmara dos Deputados- foi publicado em junho na esteira da tentativa da gestão petista de zerar a fila do INSS até as eleições por temor de que candidatos da oposição usem durante a campanha o represamento para desgastar a tentativa de reeleição de Lula.
A votação foi feita de forma simbólica, ou seja, sem contagem ou declaração de votos dos parlamentares.
O texto segue para sanção do presidente.
A MP amplia o alcance do chamado PGB (Programa de Gerenciamento de Benefícios), que paga bônus aos servidores do INSS, para que atividades de reavaliação e revisão de benefícios previdenciários e assistenciais tenham o mesmo nível de importância dos processos de reconhecimento inicial de direito.
O Planalto afirma que a medida evita que os requerimentos sejam represados e permite o “direcionamento da força de trabalho extraordinária conforme as oscilações do estoque processual e das demandas administrativas”.
Em junho, o Ministério da Previdência Social estimou que inicialmente mais de 100 mil processos seriam impactados e que a mudança não deveria trazer aumento de despesas, já que a implantação manterá os limites orçamentários e financeiros já previstos para o programa.
O relatório da senadora Zenaide Maia (PSD-RN) aprovado na comissão mista na terça (1°) manteve o escopo da proposta do governo Lula.
“As alterações promovidas pela medida provisória tendem a potencializar esses resultados. Ao conferir maior flexibilidade para o direcionamento da força de trabalho extraordinária e permitir a atuação do Programa de Gerenciamento de Benefícios sobre processos com prazo superior a 30 dias, a medida fortalece sua capacidade preventiva, reduzindo o risco de formação de novos estoques”, diz o texto.
A aprovação no plenário da Câmara se dá na mesma data em que Lula anunciou que zerou a espera pelo benefício, mesmo com 235 mil pedidos sem resposta há mais de 45 dias -recorte que o próprio Executivo vinha adotando para classificar um requerimento como atrasado.
O ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, disse que o número de pedidos pendentes caiu para 1,252 milhão em 31 de agosto, enquanto a quantidade de novos requerimentos mensais alcançou 1,394 milhão no mês passado.
Como o estoque de pedidos ficou abaixo do fluxo de novos requerimentos, o entendimento do governo é que isso é suficiente para dizer que a fila foi zerada. No próprio documento apresentado no evento, o governo cravou: “alcançamos o atendimento sem fila”.
Nessa época, o critério era eliminar o estoque de requerimentos à espera de análise há mais de 45 dias.
O QUE É O PGB
O Programa de Gerenciamento de Benefícios concede bônus em pagamento extra de até R$ 17,1 mil aos servidores do INSS que destravarem a fila de pedidos de aposentadoria, pensão e outros benefícios, e realizarem revisão do BCP (Benefício de Prestação Continuada).
Segundo a lei, é possível receber R$ 68 extra por cada tarefa, chegando aos R$ 17 mil.
Para receber os valores, o funcionário público deve primeiro cumprir a meta de trabalho mensal, fazendo 30% a mais de trabalho, e só depois pode participar do programa, com a possibilidade de ganhar valores a mais. Quem não cumpre a primeira etapa, majorada pelo INSS, não recebe.
Congresso aprova redução do prazo de espera no INSS para análise prioritária de aposentadoria
Mudança permite que servidores recebam bônus também por tarefas de revisão de benefícios previdenciários e assistenciais
Foto: Agência Brasil