A comissão parlamentar encarregada de investigar se o Governo belga tentou influir na decisão de um tribunal sobre o chamado “caso Fortis” terá dificuldades para cumprir sua tarefa, advice pois é pouco provável que os magistrados envolvidos possam ser interrogados.
A imprensa belga publicou hoje que quatro especialistas encarregados de preparar a investigação parlamentar já redigiram seu relatório, apesar de isso estar previsto para dentro de duas semanas.
Eles concluíram que “será difícil interrogar os magistrados sem se arriscar a que sejam anulados os processos judiciais em andamento”.
Caso os juízes não possam depor sobre o papel desempenhado pelo Governo do então primeiro-ministro Yves Leterme, a comissão parlamentar perderia a razão de existir, segundo boa parte dos analistas.
No entanto, o presidente da comissão, o liberal flamengo Bart Tommelein, declarou que “a comissão não é obrigada a seguir o conselho dos especialistas”.
A queda, em dezembro, do Executivo liderado por Leterme foi devido às supostas pressões exercidas pelo entorno do premiê sobre alguns juízes que deviam se pronunciar sobre a denúncia de um grupo de acionistas do Fortis que queria ser consultado sobre a separação do grupo e sua venda ao francês BNP Paribas.