O volume de vendas do comércio brasileiro cresceu 5,9% no ano passado em comparação com 2008, a menor expansão nos últimos quatro anos, informou hoje o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Segundo o relatório, o aumento das vendas em 2009 foi inferior ao registrado em 2008 (9,1%) e ao recorde registrado de 2007 (9,9%) e não era tão baixo desde 2005 (4,8%).
O resultado foi atribuído à retração das vendas nos primeiros meses do ano em consequência da crise econômica, já que o setor começou a recuperar-se a partir do segundo trimestre e alcançou uma forte expansão nos últimos três meses de 2009.
Enquanto as vendas em volume cresceram 3,7% no primeiro trimestre do ano passado, essa expansão passou para 5,2% no segundo, para 5,3% no terceiro e 8,8% no último trimestre.
O crescimento parou em dezembro, quando as vendas caíram 0,4% em comparação com novembro, primeiro resultado negativo após sete meses consecutivos de crescimento.
Essa “acomodação” não impediu que o volume de vendas de dezembro fosse 9,1% superior ao do mesmo mês de 2008.
Com relação ao valor, as vendas do comércio superaram no ano passado em 10% as de 2008 sem descontar a inflação.
Conforme o IBGE, o setor de alimentos, bebidas e supermercados, cujas vendas cresceram 8,3% em 2009 em volume na comparação com igual período de 2008, voltou a ser o principal motor dos comerciantes do país.
“Esse desempenho reflete principalmente o aumento do poder de compra da população graças ao crescimento da massa salarial (consequência do aumento do emprego e da renda) e à expansão do crédito”, segundo o organismo oficial.
As vendas também foram impulsionadas por setores como outros artigos de uso pessoal e doméstico, com uma expansão do 8,4%; artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (11,8%) e móveis e eletrodomésticos (2,1%).
De acordo com os analistas do IBGE, o acesso ao crédito e as redução dos preços de alguns produtos explicaram o crescimento das vendas.
A redução de preços foi possível pelos incentivos fiscais do Governo para favorecer aos setores mais afetados pela crise econômica, entre estes os de automóveis, eletrodomésticos e construção.
As vendas de veículos, motocicletas e autopeças cresceram 11,1% em 2009 e as de material de construção caíram 5,9%.
Além da construção, outro setor que registrou queda das vendas em 2009 foi o de têxteis, confecções e calçados, com uma queda de 2,8%.