Os 150 dias de greve da UnB renderam uma gratificação de R$ 2.150 a um dos integrantes do comando de greve. Multiplicando este valor por 30 – número de pessoas que compõe o núcleo de decisões da paralisação iniciada em 16 de março –, é possível dizer que a greve já custou pelo menos R$ 64,5 mil ao cofres do Sindicato dos Trabalhadores da Fundação Universidade de Brasília (Sintfub).
A gratificação é paga como “ajuda de custo”, espécie de jeton para que os integrantes do comando participem das reuniões onde são discutidos os rumos da greve. Por cada reunião, eles recebem R$ 25 e assinam uma folha de presença. Ao final de cada mês, o valor das participações é pago em dinheiro aos integrantes do comando.
Desde o dia 16 de março, o comando tem se reunido quase que diariamente. A conta da greve pode alcançar R$ 79,5 mil, contabilizando apenas dias úteis. O dinheiro sai do bolso dos trabalhadores: todos os meses 1% dos salários é descontado como contribuição sindical.
A coordenadora de Finanças do Sintfub, Maria Francisca Melo, afirma que o sindicato ainda não calculou quanto dinheiro já foi gasto nessa ajuda de custo. Segundo ela, as contas só serão feitas quando acabar a paralisação. Em defesa do jeton, Maria Francisca afirma: “Isso foi aprovado no primeiro dia de reunião, é uma ajuda para cobrir gastos com alimentação, deslocamento, horário extra. Tem dia que ficamos discutindo até tarde da noite.” O coordenador-geral do Sintfub, Antônio Guedes, não quis comentar o assunto. “Todas as deliberações do comando de greve serão respondidas pelo comando de greve”, diz.
SINDICATOS
O sistema de ajuda de custo ao comando não é unanimidade entre os sindicatos. No Sindicato dos Metalúrgicos do ABC paulista, onde o presidente Lula começou sua carreira política, essa ajuda de custo não existe. As greves são coordenadas pela diretoria-executiva. Os integrantes do comando são liberados do trabalho, mas não recebem pela mobilização. Na Associação dos Servidores do Ibama (Asibama), que recentemente promoveu greve de 64 dias, a ajuda de custo é paga aos delegados estaduais que vêm a Brasília para reuniões. É uma diária para cobrir passagens e hospedagem. A alimentação é com os delegados.
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