O gerente executivo da Unidade de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco, espera que as medidas que o governo estuda para estimular o setor exportador “deem condições de competitividade” aos produtos nacionais.
O pacote de medidas para o setor exportador deverá ser anunciado até o fim deste mês, conforme informou o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, após reunião do Grupo de Acompanhamento do Crescimento (GAC), realizado no Ministério da Fazenda.
Castelo Branco mostrou que existe uma grande expectativa do setor industrial sobre as medidas, pois a crise afetou fortemente a economia mundial. Além disso, houve um processo de sobrevalorização do real, que encareceu os produtos brasileiros no mercado externo, destacou o economista.
Entre as questões, Castelo Branco defende a discussão do ressarcimento de créditos tributários, questões ligadas ao financiamento e à burocracia que implicam custos e reduzem a competitividade da indústria nacional com os produtos estrangeiros.
“O esforço que se deve buscar agora é exatamente o de equacionar alguns desses problemas para melhorar a competitividade e colocar nossos produtos em um mercado mais difícil, que é um mercado mundial pós-crise”, disse.
De acordo com o economista, o governo não deve mexer no câmbio, que no Brasil é flutuante, para ajudar os exportadores. As mudanças poderão ser focadas em questões como investimentos e na desburocratização, além da redução de impostos.
Castelo Branco explica que o problema tem duas vertentes. Uma ligada a questões que afetam a competitividade dos produtos, como custo, transporte, logística, condições de financiamento e redução da burocracia, que se tornam mais prementes quando o câmbio é desfavorável.
Outra questão é a política cambial que, segundo ele, tem a ver com a política monetária e com o fluxo de recursos externos. “As duas coisas têm que ser vistas de forma conectada, mas as soluções não são dependestes umas das outras”, afirmou.