O índice de clima econômico da América Latina chegou em janeiro a 5,6 pontos, seu melhor nível desde julho de 2007 (5,9 pontos), segundo um estudo divulgado hoje pela Fundação Getulio Vargas (FGV).
O indicador, que reflete o ambiente para os negócios na América Latina, prosseguiu sua recuperação após ter caído aos 2,9 pontos em janeiro do ano passado, menor nível histórico, como consequência da crise mundial.
Desde então, o índice vem subindo gradualmente e, em abril do ano passado, já registrava 3,6 pontos, em julho 4 pontos e em outubro 5,2 pontos, segundo a pesquisa realizada trimestralmente pela FGV e pelo Instituto de Estudos Econômicos da Universidade de Munique (Ifo).
De acordo com as duas instituições, que para o estudo de janeiro consultaram 139 especialistas de 17 países, a recuperação do clima econômico na América Latina segue uma tendência mundial, mas que é mais rápida na região.
O índice mundial subiu de 5,1 pontos em outubro passado para 5,5 pontos em janeiro deste ano.
Segundo o estudo, a melhoria na América Latina nos últimos três meses obedeceu principalmente à melhor avaliação dos especialistas sobre o estado atual da região e menos às expectativas para o futuro.
O Índice de Clima Econômico é composto pelo Índice de Situação Atual (ISA), que mede a avaliação dos especialistas em torno da conjuntura, e o Índice de Expectativas (IE), que reflete o que se espera para os próximos seis meses.
O Índice de Situação Atual para a América Latina subiu dos 3,3 pontos em outubro passado aos 4 pontos em janeiro, melhor nível desde outubro de 2008 (4,2 pontos), antes do agravamento da crise, e muito acima dos 3,3 registrados em janeiro de 2008.
Apesar da recuperação, o índice mostra que a avaliação sobre a atual situação da economia da região ainda não retornou ao nível em que estava antes do agravamento da crise, já que em julho de 2008 o ISA chegava a 5,7 pontos.
O Índice de Expectativas, apesar de ter se mantido em um nível elevado, só subiu de 7 pontos em outubro para 7,1 pontos em janeiro. Ainda assim, representou mais de três vezes o índice registrado em janeiro do ano passado (2,3 pontos).
A pesquisa acrescenta que, dos 11 países da América Latina analisados, cinco estão em fase de expansão econômica (Argentina, Brasil, Chile, Peru e Uruguai), enquanto em outubro apenas três países estavam nessa situação (Brasil, Peru e Uruguai).
Outros cinco estão em fase de recuperação (Bolívia, Colômbia, Equador, México e Paraguai), do qual antes ficava de fora o Equador.
Segundo os critérios do estudo, o único país que ainda se mantém na zona de recessão é a Venezuela.
Dos 11 países, o de melhor clima econômico em janeiro era o Brasil (7,8 pontos), seguido pelo Chile (7,4), Peru (7,3), Uruguai (7), Paraguai (6,3) e Colômbia (5,8).
Em seguida ficaram Argentina e Equador (ambos com 5,3), México e Bolívia (ambos com 4,4) e Venezuela (3).
Em relação à lista de países onde se espera uma melhor situação econômica em seis meses, liderada pelo Peru (8,8 pontos), seguido pelo Chile (8,6), Paraguai (8,3) e Colômbia (8,2).
A Venezuela, com 4,4 pontos, é o único país no qual o Índice de Expectativas fica abaixo dos 5 pontos.