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Economia

Citigroup compra ativos do Wachovia e se torna maior banco dos EUA

Arquivo Geral

29/09/2008 0h00

O Citigroup adquiriu hoje as operações bancárias do Wachovia, order o quarto maior banco dos Estados Unidos e a última vítima dos efeitos causados pela crise das hipotecas de alto risco (“subprime”).

Este acordo, que contou com o apoio das autoridades americanas, transforma o Citigroup na maior entidade bancária dos EUA em relação ao total de depósitos, com US$ 1,25 trilhão, à frente do JPMorgan Chase (US$ 911 bilhões) e do Bank of America (US$ 785 bilhões), segundo a empresa.

Um possível acordo entre o Wachovia e o Citigroup ou algum outro banco já era esperado na semana passada pouco depois que outra entidade, o Washington Mutual, sofreu a intervenção do Governo e teve seus ativos vendidos ao JPMorgan Chase.

No caso do Wachovia, a Corporação Federal de Seguro de Depósito (FDIC, em inglês) ressaltou hoje que essa entidade “não quebrou” e que se tratava de um acordo entre bancos que contava com seu apoio e também com o do Tesouro dos EUA e do Federal Reserve (Fed, banco central americano).

“Esta ação era necessária para manter a confiança no setor bancário dadas as atuais condições do mercado financeiro”, declarou a presidente da FDIC, Sheila Bair, em comunicado de imprensa.

Bair também tentou transmitir tranqüilidade aos clientes do Wachovia, que tem sua sede corporativa em Charlotte (Carolina do Norte), e afirmou que “não haverá interrupção nos serviços” e que seus clientes podem esperar que continue funcionando como até agora.

O acordo contempla a compra de todas as filiais bancárias do Wachovia pelo Citigroup, que pagará US$ 2,16 bilhões em ações e assumirá dívida e outras obrigações por um valor total de US$ 53 bilhões.

O banco comprador se encarregará ainda dos primeiros US$ 30 bilhões de perdas que gere a bolsa de ativos do Wachovia, avaliada em cerca de US$ 312 bilhões e na qual há ativos ligados a hipotecas.

Além disso, assumirá perdas por outros US$ 12 bilhões.

A FDIC amortizará o resto de perdas associadas a essa mesma bolsa de ativos e o Citigroup lhe oferece em troca ações preferenciais e opções sobre títulos no valor de US$ 12 bilhões.

“Esta transação é extremamente atrativa” pela “nossa perspectiva estratégica”, disse mediante um comunicado o executivo-chefe do Citigroup, Vikram Pandit, que ressaltou que a entidade terá com esta operação US$ 600 bilhões em depósitos nos EUA ou cerca de 9,8% do total neste mercado.

Além disso, contará com cerca de 4.365 filiais nesse país e outras 3.300 no exterior.

O grupo bancário ressaltou que espera fechar menos de 5% das filiais quando a operação for completada, já que as duas entidades atuam em poucas áreas em comum.

A compra contou com o sinal verde dos dois conselhos de administração, mas deve ser aprovada ainda pelos acionistas do Wachovia e pelas autoridades reguladoras americanas.

A entidade compradora prevê que a aquisição tenha um efeito positivo em suas contas já no primeiro ano após suas finalização e que se reflita em seu lucro em maior medida em 2010.

O Banco do Fed em Richmond, competente nos assuntos financeiros da Carolina do Norte, assegurou que “está preparado” para facilitar a liquidez da qual necessite a operação.

Durante uma conferência com analistas, Pandit elogiou a trajetória do Wachovia, cuja dimensão atual é resultado de mais de uma centena de aquisições e que criou “uma grande cultura de serviço” a seus clientes.

O diretor explicou que o pessoal das duas entidades fez “um grande esforço” nos últimos três dias “para perfilar os termos da operação”, examinou com detalhes as contas do Wachovia e confiou em ter sob controle os riscos associados aos ativos negociados e à integração de operações.

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