EDUARDO CUCOLO
FOLHAPRESS
Em 2025, os cigarros ilícitos responderam por 31,9% do consumo total desses produtos em 11 mercados no continente americano, incluindo o Brasil, onde a fatia chegou a 36%, segundo relatório da consultoria KPMG divulgado nesta quarta-feira (15).
Isso representa 77 bilhões de cigarros e uma perda de receita tributária estimada em US$ 8,5 bilhões (R$ 65 bilhões) nos mercados abrangidos pelo relatório, o que inclui dez países da América Latina e também o Canadá.
Houve aumento de 0,6 ponto percentual na participação do produto ilegal em relação a 2024. Na média global, o cigarro ilícito responde por 15% do mercado.
O Brasil representa o maior volume absoluto 34% do total consumido nos países pesquisados. O consumo no mercado brasileiro ficou praticamente estável em relação ao ano anterior, tanto no segmento legal quanto no ilegal.
De acordo com a consultoria, o consumo total de cigarros caiu 2% em 2025 nesses países em comparação a 2024, principalmente devido à queda de 2,9% no consumo doméstico legal.
O Brasil continua sendo o maior mercado de cigarros ilícitos em termos absolutos quase 42 bilhões de cigarros ilícitos consumidos em 2025. Já o Paraguai continua sendo a maior fonte de cigarros ilícitos. O país responde por 44% do que é ofertado nesses 11 mercados.
Os cigarros ilícitos também representam parcelas significativas do consumo no Panamá (89%), Equador (84%) e Chile (58%).. A Argentina aparece com aproximadamente 11%. No México, o consumo atinge 22%.
Seis principais marcas listadas respondem por quase metade do consumo de cigarros ilícitos nos 11 mercados analisados no relatório. A composição das marcas sofreu alterações. Uma marca que dominava o mercado em 2024 perdeu participação, sendo substituída por outras marcas, tais como Englishman, Pine e Fox.
Durante evento de divulgação dos dados, Marco Hannappel, presidente da PMI (Philip Morris International) para América Latina e Canadá, disse que o comércio ilícito de cigarros segue uma tendência de crescimento nos últimos cinco anos.
“O declínio que vemos no mercado de cigarros legal não está indo para o ilícito. As ações que os Estados estão tomando com impostos sobre cigarros, não se aplicam ao mundo dos ilícitos, que está crescendo em todos os lugares para números bastante impressionantes”, afirma o executivo.
Ele afirma que o contrabando de cigarros é uma nova divisão do narcotráfico, que conta com um produto mais fácil de ser comercializado. “Os consumidores estão em todos os lugares. Em alguns casos não há nem mesmo punição criminal. É apenas uma multa administrativa se você for pego.”
A PMI atualmente tem mais de 40% da sua receita em produtos classificados como livre de fumaça, como sachês de nicotina e tabaco aquecido, que são proibidos em mercados como o brasileiro, mas permitidos na Itália, por exemplo, onde o cigarro ilícito praticamente desapareceu.
“Desapareceu porque 30% dos fumantes pararam de fumar para sempre e passaram para o tabaco aquecido na Itália. No Japão, é mais ou menos a mesma coisa, dois terços dos fumantes deixaram os cigarros pelos novos produtos. E o ilícito está próximo de zero.”
O repórter viajou a convite da Philip Morris International