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Chinês compra tartaruga, açaí e café com a marca Brasil, mas vendidos por outros países

É o que mostra um trabalho divulgado pelo Conselho Empresarial Brasil-China, de autoria de Renata Thiébaut, diretora da consultoria Green Proposition que trabalha há 16 anos com comércio online no país asiático

Por FolhaPress 26/01/2022 8h58

EDUARDO CUCOLO

Pedras preciosas, tartarugas e café estão entre os mais de 10 mil produtos que trazem a marca Brasil vendidos nas maiores plataformas de comércio eletrônico na China. A maioria desses itens, no entanto, é produzida e comercializada por empresas chinesas ou de outros países. De brasileiro mesmo, apenas o nome e alguns ingredientes.

É o que mostra um trabalho divulgado pelo Conselho Empresarial Brasil-China, de autoria de Renata Thiébaut, diretora da consultoria Green Proposition que trabalha há 16 anos com comércio online no país asiático.

A marca mais popular de açaí é belga, os “pinhões brasileiros” são vendidos por empresas americanas e chinesas, a “queratina brasileira” é um dos tratamentos mais populares no país, mas nenhuma marca do Brasil oferece o produto, segundo a especialista.

O documento é uma espécie de guia sobre oportunidades para empresas brasileiras no ecommerce do país asiático, que movimenta US$ 2,3 trilhões por ano ano -o maior do mundo, com valor superior à soma das economias brasileira e argentina.

O trabalho mapeia as principais plataformas e modelos de negócio disponíveis. Também aponta os setores de alimentos e bebidas, principalmente orgânicos e à base de plantas, beleza e moda como os mais promissores para os exportadores brasileiros.

A China é o maior destino das exportações brasileiras, que estão concentradas em produtos básicos (commodities), como carnes, petróleo e soja.

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Segundo Thiébaut, é necessária uma mudança na estratégia das empresas brasileiras para esse mercado, com uma atuação mais focada em fortalecimento de marcas e venda de produtos de maior valor agregado. Nesse contexto, o comércio eletrônico surge como uma porta de entrada para o país.

Um exemplo de segmento já forte nesse mercado é a indústria de calçados. A Havaianas é a marca brasileira de maior destaque na China. Também estão presentes Melissa, Ipanema, Schutz, Zaxy, Grendene, Bibi e Kidy.

Outros produtos acabados “brasileiros” também têm grande visibilidade em plataformas como Taobao e TMall (ambos do grupo Alibaba), JD.com e Pinduduo. Mas, em geral, são itens fabricados fora do Brasil, mas com insumo nacional.

Os produtos que utilizam a marca Brasil e suas variações alcançam vendas mensais de R$ 43,7 milhões somente nas plataformas do Alibaba, que representam mais de 60% do mercado local. Mas o potencial para empresas brasileiras é avaliado como bem superior a isso.No caso das tartarugas brasileiras e da ração para elas, que também leva ingredientes nacionais, trata-se de uma espécie natural do Brasil, criada no país asiático desde a década de 1980 e legalmente comercializada lá por empresas chinesas.

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“O consumidor chinês já tem um certo conhecimento sobre produtos e ingredientes provenientes do Brasil, o que é excelente, mas as marcas que vendem esses produtos, infelizmente, não são brasileiras. Então o Brasil acaba perdendo muito com isso”, afirma Thiébaut.

A autora do trabalho diz que o guia também tenta acabar com a concepção equivocada de que o mercado chinês, devido à sua vasta população de mais de 1,4 bilhão de pessoas, garantirá altas vendas a qualquer marca que entrar no país. Segundo Thiébaut, o mercado chinês é tão competitivo que o sucesso é muito difícil de ser alcançado sem uma forte estratégia de entrada.

Também é necessária adaptação de alguns produtos. Os chineses consomem açaí em pó para mistura em outros alimentos. As vendas de café se concentram na forma instantânea. Diversos alimentos são vendidos em tamanhos e sabores distintos dos consumidos no Brasil.

“Adotar na China o mesmo modus operandi do país de origem, sem verificar a necessidade de adaptação dos produtos, costuma ser o motivo do fracasso de marcas de grande ou pequeno porte”, diz a especialista.

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Para reduzir a barreira de entrada para empresas de pequeno e médio porte, Thiébaut afirma ser recomendável a criação de uma Loja Brasil, que reúna vendedores nacionais, a exemplo do que já fizeram países como Peru, Itália, Lituânia, França e Austrália.

“O nosso objetivo é trazer marcas brasileiras de todos os portes. Não é só empresa grande que deve ir para a China através do ecommerce. Esse guia tem como objetivo ajudar essas empresas”, afirma.

Dados de 2020 mostram que a China já responde por quase metade do comércio eletrônico mundial, com volume que ultrapassa a soma das transações online dos Estados Unidos, Reino Unido e Alemanha.

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