MAELI PRADO
FOLHAPRESS
A Casas Bahia, que pediu recuperação judicial neste domingo (16), busca um empréstimo de R$ 1 bilhão junto a bancos e fundos de investimento para injetar recursos no caixa da empresa para comprar e repor estoques.
Segundo pessoas próximas à operação, a rede de varejo começou a estruturar um tipo específico de financiamento concedido a empresas em recuperação judicial.
Esse tipo de empréstimo, conhecido como DIP (“debtor-in-possession”), foi regulamentado pela legislação que alterou a Lei de Falências e Recuperação Judicial em 2020, e serve para injetar dinheiro novo no caixa para permitir que o negócio pague salários e matérias-primas para continuar a operar durante a reestruturação.
No balanço publicado neste domingo, a Casas Bahia informa que já está com dificuldades de repor estoque nos volumes esperados devido às restrições de crédito e do elevado custo dos financiamentos.
“Ao longo do segundo trimestre de 2026, a capacidade de recomposição dos estoques foi
restringida em relação aos níveis originalmente planejados pela administração”, diz trecho da divulgação de resultado da varejista.
Segundo a empresa, o valor de estoques disponíveis caiu mais de 20% no último trimestre, enquanto o prazo de estoque disponível se reduziu de 95 dias em 31 de março deste ano para 75 dias em 30 de junho de 2026.
Essa redução, diz a Casas Bahia, afetou a disponibilidade de determinadas mercadorias, lojas e canais de venda.
A companhia cita uma operação de captação internacional de recursos que seria “de extrema relevância” no planejamento financeiro da empresa, mas que não se concretizou no prazo previsto.
O grupo entrou com o pedido de recuperação na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais na Justiça de São Paulo no final da noite deste domingo (16) e declarou uma dívida de R$ 17,3 bilhões.
O pedido engloba dez empresas da holding, entre elas a dona das marcas Casas Bahia e Ponto Frio, o e-commerce Extra.com e a fabricante de móveis Bartira, além de subsidiárias de logística e tecnologia.
Das dívidas, R$ 16,4 bilhões são com credores quirografários (ou seja, sem garantia), R$ 754 milhões com credores trabalhistas e R$ 154 milhões com microempresas e empresas de pequeno porte.
O grupo informa no pedido a demissão de cerca de 3.000 funcionários, dos 30.117 colaboradores que possui, e o fechamento de quase 300 lojas segundo o documento, a Casas Bahia possui mais de 700 lojas físicas, e o Ponto Frio, mais de 65.
Casas Bahia tem dificuldades com estoque e busca empréstimo de R$ 1 bi
Rede de varejo começou a estruturar um tipo específico de financiamento concedido a empresas em recuperação judicial
Foto: Divulgação/Casas Bahia