DIEGO FELIX
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
Operações com serviços financeiros em casas lotéricas, como depósitos e pagamentos de boletos, foram limitadas a R$ 2.000 nesta quarta-feira (22), após os sistemas das unidades sofrerem um “incidente tecnológico”, segundo a Caixa Econômica Federal, responsável por intermediar os serviços.
O banco estatal não dimensionou nem detalhou os incidentes. Donos de lotéricas, no entanto, relataram que os serviços começaram a ser suspensos por volta das 15h30 desta terça-feira (21). Cerca de uma hora depois, todo o sistema de meios de pagamentos já estava desligado preventivamente sem explicação.
A suspensão dos serviços pela Caixa causou transtornos entre as lotéricas. Embora tenham operado normalmente ao longo do dia, elas ficaram com os serviços limitados até o fim do expediente.
Muitos empresários continuam sem saber exatamente o que aconteceu. Nesta quarta, a Caixa disparou um boletim informativo aos lotéricos com orientações sobre o que fazer em caso de irregularidades detectadas nas lojas.
Segundo esse boletim ao qual a reportagem teve acesso, as medidas de contingência serão mantidas até segunda-feira (27) e afetarão somente os serviços de depósito e de recebimento de boletos de outros bancos.
“Reiteramos que as equipes da Caixa permanecem mobilizadas para o tratamento da ocorrência e que novas orientações serão comunicadas tempestivamente, conforme a evolução dos trabalhos”, diz o boletim.
Questionada pela reportagem, a Caixa afirmou ainda que o incidente “não acarretará prejuízos aos empresários lotéricos, nem aos clientes”.
Empresários do setor ainda evitam tecer palpites sobre o que aconteceu. A maioria diz que existe especulação em torno do assunto.
A Anel (Associação Nacional de Empresários Lotéricos) disse à reportagem que o incidente tecnológico seria, na verdade, um ataque cibernético organizado que pegou toda a rede de surpresa. A reportagem apurou que algumas casas chegaram a reportar ataques envolvendo quase R$ 500 mil.
Nos bastidores, donos de lotéricas afirmam que, enquanto os sistemas eram desligados por volta das 15h30, o setor da Caixa que se relaciona com os empresários ficou em uma “sala de crise” durante toda a tarde. Nenhuma informação havia sido dada pelo banco até o início da manhã desta quarta-feira.
A queda nos sistemas foi noticiada inicialmente pelo portal BNL Data. Segundo o site, empresários lotéricos de São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina e Rio Grande do Sul relataram irregularidades nos sistemas bancários da Caixa, com uma série de processamentos não autorizados de pagamentos de boletos, com valores que variavam entre R$ 4.500 e R$ 5.000.
“Tenho duas lojas, nada anormal, mas várias [estavam] com serviços limitados e depois, imagino eu por segurança, alguns serviços de forma geral foram suspensos”, disse o presidente da Febralot (Federação dos Empresários Lotéricos do Brasil), Ricardo Amado Costa, que administra lotéricas em Mato Grosso do Sul.
O Sincoesp (Sindicato dos Comissários e Consignatários de São Paulo), que representa casas lotéricas e jogos autorizados no estado, disse na terça que não era possível saber exatamente o que aconteceu com os sistemas.
“Qualquer posição nossa seria pura adivinhação. Entendemos que somente a Caixa, responsável pela tecnologia e pelo gerenciamento das casas lotéricas, pode dar explicação sobre o ocorrido”, afirmou José Carlos Pereira de Paiva, presidente do sindicato.