Daniel Alcântara
daniel.alcantara@clicabrasilia.com.br
O número de brasileiros que mora fora do país para estudar, trabalhar ou apenas conhecer a cultura já ultrapassa a população total de Brasília. A partir da identificação de uma pequena parte dos residentes no exterior que se inscrevem nos consulados brasileiros, com base em consultas feitas no final de 2009, o Itamaraty calcula que a soma dessas pessoas chega a 3.040.933 milhões. Por ano, são 100 mil novos imigrantes fazendo as malas para viver essas experiências.
A brasiliense Marina dos Santos, 27 anos, faz parte deste contingente. Ela foi para os Estados Unidos quando ainda tinha 20 anos. Lá se formou, encontrou um emprego e começou a constituir uma nova família. Mora em Washington a mais de 5 anos, ela explica como é a fase de adaptação e a saudade do país em que nasceu. “Primeiramente, não é fácil trabalhar no exterior. Muitas pessoas deixam o Brasil, na ilusão de buscar um meio de sobreviver. Morar e trabalhar fora é uma lição na vida, se aprende muitas coisas e, principalmente, damos valor às coisas que temos no Brasil. Talvez eu seja um privilegiada, mas considero todo brasileiro que deixa o país um herói, mesmo aqueles que são deportados. Conheci vários conterrâneos por aqui e realmente são muitos. Comecei a me estabilizar quando conheci meu noivo que é Americano. O começo sempre é difícil, mas pra mim valeu a pena.”
Desde 1980, registros dos aeroportos sugerem que o Brasil tem perdido mais pessoas do que recebido. O movimento chegou a ter uma pausa entre 2001 e 2004, por causa do atentado terrorista as torres gêmeas na cidade de Manhhatan em Nova York, a fiscalização americana ficou mais rígida, mas a partir de 2005 o número voltou a aumentar.
Allan Spadafora, 28 anos, foi para os Estados Unidos em 2007 se aventurar. Como o passaporte dele mostrava várias viagens anteriores e o visto demonstrava que havia respeitado todos os períodos de permanência ele não teve problemas. “Não houve a menor dificuldade. O único problema, infelizmente, é o preconceito com outras etnias e com brasileiros. Mas, Falo inglês fluente e passava batido pelos outros americanos, morei um ano em Los Angeles com um amigo Argentino, é realmente outra vida com outras pessoas. Só voltei porque o visto estava vencendo”, conta.
Europa
Na Grã-Bretanha (Inglaterra, Escócia e País de Gales), o brasileiro é a nacionalidade mais barrada nas fronteiras há três anos consecutivos. Em 2006, de acordo com os últimos dados do Ministério do Exterior 4,9 mil brasileiros foram impedidos de entrar no país. No mesmo ano, cerca de 390 mil passageiros embarcaram sem retorno para a Europa.
Muitos vão sem conhecimento e acabam barrados na porta. Não foi o caso do Estudante de jornalismo que mora em Brasília, Leonardo Fernandes, que ficou em Londres, capital da Inglaterra, por dois anos e meio “Não tive nenhuma dificuldade pra ir, fiz tudo o que é imposto pela lei sem nenhum transtorno”, diz.
A decisão de morar em outro país não é muito fácil e também não é barato. Um quarto de aluguel na Inglaterra custa em média 90 Libras por semana e tem outros gastos como, transporte e alimentação. Os brasileiros que vão a Inglaterra como estudantes só podem trabalhar por lei, 20 horas semanais, e nem sempre da para guardar o tão sonhado dinheiro na volta para o Brasil “Dava meus jeitos, ganhava em torno de 420 a 500 libras por semana, fazendo todo tipo de trabalho, só voltei por causa da minha família e pela minha namorada”. Explica Leonardo.
Os trabalhos são bem diversos. Você pode fazer de tudo um pouco, trabalhar em pubs, sendo garçom ou atrás do balcão, recolhendo copos em restaurantes, ou se preferir na cozinha sendo auxiliar dos chefes ou até mesmo pode ficar segurando placas de publicidade por horas no frio europeu.
Em média os brasileiros que trabalham em pubs ou restaurantes ganham 7 a 10 Libras por hora.“Eu trabalhei em um pub como bartander, ficava fazendo e servindo drinks, trabalhei também em restaurantes. Fiz de tudo um pouco. Não foi fácil, encontrei várias dificuldades por lá, mas foi umas das experiências mais legais da minha vida. Consegui juntar uma grana e muito experiência de vida, que é o mais importante, voltei para o Brasil depois de 2 anos e meio na Europa convivendo com todo tipo de nacionalidade”.
Vivendo ilegalmente nos estados unidos
Atualmente, os brasileiros são a segunda nacionalidade com o maior número de clandestinos nos Estados Unidos, segundo uma lista do Departamento de Segurança Nacional. Em 2000, o número de brasileiros sem documentação somava 100 mil. Seis anos depois, essa quantia mais do que duplicou, chegando a 210 mil. O aumento no período só é inferior ao registrado pelos indianos.
Grande parte dos imigrantes Brasileiros vão para os outros países com o visto de Estudante, permanência autorizada até seis meses. Porém, eles acabam excedendo esse tempo para trabalhar e ganhar em dólar. A maioria nunca chega sequer a frequentar um dia de aula.“ Fui para os Estados com visto de estudante. Foi uma maneira que eu encontrei para entrar no país de forma legal. Fiquei 6 meses com o visto provisório, morei ilegalmente por 1 ano. Minha sorte era que falava inglês muito bem, sofri alguns sustos, mas acabou dando tudo certo. Conheci um Americano e me casei com ele, moro hoje em Los Angeles, uma aventura e tanto.” Conta Fernanda Faria, 29 anos.
O estado do Arizona, nos estados unidos, criou uma lei que radicaliza a presença de pessoas ilegais no país. O anúncio da lei que torna crime estadual a presença de imigrantes ilegais e dá à polícia autorização para parar, interrogar e exigir documentos de qualquer pessoa considerada suspeita de estar ilegalmente no país. A lei só entrou em vigor no dia 29 de julho, e desde seu anúncio vem provocando temor entre os imigrantes ilegais do Arizona. A lei ainda é aplicada no valor das faculdades, se você não tiver o seguro social terá que pagar o triplo da mensalidade nas faculdades, dificultando cada vez mais a vida dos imigrantes no estado americano. Muitos brasileiros estão nessa situação no Arizona, e estão voltando para casa com medo de serem presos, e vêem seus sonhos indo por água a baixo.
Intercâmbio
Outro jeito muito usado por estudantes de todo Brasil para adquirir experiência em outros paises é o termo intercâmbio, que é usado para descrever a experiência de pessoas que vão estudar por um determinado período em outro país. O objetivo principal da viagem é aprimorar conhecimentos e relações com outros povos, outros idiomas e culturas, para agregar a sua experiência profissional.
Utilizado principalmente desde a década de 20 do século passado, o intercâmbio ganhou maior adesão após o término da 2ª Guerra Mundial (1945), quando os países da Europa que se envolveram no conflito passaram por uma completa reestruturação física e econômica.
O Reino Unido (Inglaterra, Escócia e País de Gales), trabalha com intercâmbio há mais de 80 anos. Programas de intercâmbio, nas mais diversas modalidades, oferecem oportunidades de aprendizagem para as Américas (Sul, Central e Norte), Europa, África e Oceania, continentes onde os respectivos países também adotaram esse modelo de troca de experiências, tendo sempre como intermediário escolas qualificadas e conhecidas pelos profissionais da empresa.
A estudante do curso de Direito Hannah Karoline, 18 anos, escolheu essa forma de viajar e aprimorar o seu inglês. “ Eu vou ficar três meses em Londres por ser um país com uma vasta cultura, além de aprimorar meu inglês. A localidade da Inglaterra também é impressionante, lá posso pegar um metrô e conhecer a Europa toda.” Explica.
Em Brasília existem várias agências de intercâmbio, com pacotes diversos, tais como:
cursos colegiais – voltados para jovens entre 15 e 18 anos;
de idiomas – variando de uma semana até um ano e são oferecidos por instituições de ensino, faculdades, universidades ou cursos especializados de línguas;
idioma combinado com interesses específicos – nestes pacotes, é possível aproveitar a viagem para realizar atividades como mergulho, aulas de culinária, dança, literatura, história etc.;
idioma e negócios – além do idioma, o aluno estuda o vocabulário específico de estatística, finanças, marketing e transações comerciais;
para professores – ideal para professores estrangeiros que tenham fluência no idioma;
programas para a terceira idade – cursos variados que unem diversão e aprendizado em turismo, cultura local, culinária, arte, além do convívio com pessoas de todo o mundo
programa de férias – indicado para adultos e adolescentes acima de 14 anos, o curso mescla esporte, aprendizado de um novo idioma e atividades de lazer.
É preciso confiar na agência de intercâmbio que faz sua viagem, é tudo bem pensando e conversado. O planejamento deve ser feito com antecedência para que não haja surpresas ou decepções. Uma viagem internacional custa caro e é necessário ter sempre uma reserva para eventualidades, como a não-adaptação à habitação escolhida. Quando for comprar o pacote, peça para a empresa indicar pessoas que já fizeram o curso para obter dicas importantes sobre a região. “Eu comprei a minha passagem pela “GOTOLONDO”, conversei bastante com eles, afinal, é um bom dinheiro que se gasta, cerca de R$ 7 mil, mas deu tudo certo e no dia 26 de novembro eu estou embarcando para Londres.”
Comenta
A hospedagem de cada um desses programas varia muito. Nos programas de cursos colegiais, o comum é que você viva junto com uma família do local. Nos outros, o mais comum é você viver em hospedagens destinadas a esse fim algumas com jeito de repúblicas “ Vou ficar na casa de uma família de quatro pessoas, já recebi informações sobre eles, a empresa que indica, é tudo feito nos mínimos detalhes. Vou conhecer eles apenas quando chegar lá. Eu contratei o serviço de translado, oferecido pela empresa, ou seja, alguém vai estar no aeroporto me esperando, depois é só ligar para a família, pegar endereço essas coisas. ” Comenta Hannah.
Saiba mais
Confira o número de brasileiros nos diferentes países
1º. Estados Unidos: 1.280.000 aproximadamente
2º. Paraguai: 300.000
3º. Japão: 280.000
4º. Reino Unido: 180.000
5º. Portugal: 137.000
6º. Espanha: 125.000
7º Alemanha: 89.000
8º Itália:70.000
9º.França: 60.000
10ºArgentina:49.500
Curiosidade: o país que tem menos brasileiros, segundo o Itamaraty, é o Sudão na África, com apenas seis brasileiros morando no país
Dados de setembro de 2009
Fonte: Itamaraty
Cuidados que devem ser tomados na hora de embarcar para outros países
· reservas de hotel;
· Seguro de viagem;
· Dinheiro (60 euros por dia por pessoa, mínimo de 550 euros) por qualquer tempo de permanência;
· Passagem de ida e volta
· Cartão de crédito internacional
· Ainda podem exigir carta-convite da pessoa ou família que hospedará o viajante ou da instituição organizadora do evento de que participará.
· Alguns países podem exigir a comprovação do porte de valores determinados como uma das condições para autorizar a entrada.
· Ao chegar ao destino final, as autoridades sanitárias poderão também exigir informações sobre o itinerário da viagem e examinar os documentos de saúde ( como, por exemplo, cartões de vacinação para alguns casos) do viajante. Poderão ainda colocá-lo em observação, isolamento ou quarentena e até mesmo negar sua entrada por considerá-lo suspeito de portar doenças com potencial de disseminação internacional ou por não apresentar prova documental de vacinação requerida pelo país.
· Vista-se de acordo com os padrões locais e a época do ano em que a viagem ocorrerá: roupas leves ou muito sumárias em períodos de inverno intenso poderão, por exemplo, chamar a atenção das autoridades migratórias estrangeiras.
Saindo de Brasília.
A assessoria de imprensa da Infraero informou que o número de brasilienses que vão para outros países tem crescido. Com isso, o Aeroporto Internacional de Brasília vem aumentando seus vôos para fora do país.
Confira a tabela diária de vôos para o exterior saindo de Brasília:
Lima – Peru – 08h29 – 2ª, 4ª e 6ª
Atlanta – USA – 23h15 – 2ª, 3ª, 6ª e Domingo
Lisboa – Portugal – 18h06 – 2ª, 6ª e Sábado
Rosário – Argentina – 19h54 – 3ª, 5ª e Domingo