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Economia

Brasileiro é o mais apegado à tecnologia na América Latina

Arquivo Geral

18/11/2011 18h11

Guilherme Lobão

globao@jornaldebrasilia.com.br

 

Até o ano de 2015, 3,1 bilhões de pessoas estarão conectadas a 15 bilhões de dispositivos eletrônicos. O assombroso dado da evolução tecnológica mundial tem no brasileiro um dos maiores agentes para alcançar esta marca, segundo estudo apresentado à imprensa nesta sexta-feira, no hotel Iberostar da Praia do Forte (BA), pela empresa de desenvolvimento de processadores para computador Intel.

 “O brasileiro gosta de usar a tecnologia como um instrumento de manifestação de progresso e melhoria de vida”, justifica o diretor de estratégia da Intel Brasil, Cássio Tietê. “E o fenômeno mais interessante que observamos é que as pessoas, principalmente os jovens, estão emocionalmente vinculadas ao desktop”, diz. Na América Latina, o brasileiro é o povo mais dependente da tecnologia, segundo apontou o estudo.

A pesquisa foi encomendada pela Intel como forma de levar a indústria de computadores a conhecer à fundo o consumidor. “Reparamos que o PC está mais vivo do que nunca. Nos próximos anos, 63% do crescimento da Intel virá dos países emergentes. E a liderança do computador não mostra sinais de enfraquecimento em qualquer dos segmentos”, avalia Fernando Martins, presidente e diretor geral da Intel.

Segundo Cássio Tietê, apesar de a expectativa do consumidor brasileiro seja ter uma comunicação permanente online e sem fio e sem problemas de incompatibilidades, cresce a individualização da posse do PC se torna uma necessidade. “As pessoas querem ter um computador em casa. E começam a não querer mais compartilhar seus dispositivos”, sublinha.

Ainda de acordo com o estudo, no Brasil, o notebook é o dispositivo eletrônico de maior desejo. Mais de 38% dos brasileiros querem um. Embora desktops e notebooks sejam utilizados para a mesma tarefa, são percebidos de forma diferente. “O desktop é o mais amado e é tido como mais confiável pelo consumidor, enquanto o notebook é mais relacionado ao prestígio, junto com o celular e o smartphone”, detalha Cássio Tietê.

Segundo ele, a criação de conteúdo vai aumentar cada vez mais e ele será consumido preponderantemente nos computadores. “Teremos até 2014 no Brasil 90 milhões de PCs, contra 40 milhões de smartphones e 4,5 milhões de tablets. Cerca de 75% dos vídeos gerados em 2014 na internet serão consumidos em PC.”

Outros dispositivos

Outro dado curioso levantado pelo estudo é que a população brasileira média ainda não compreende muito bem o papel dos netbooks e dos tablets. “Eles estão associados a um categoria menos glamourosa que o notebook. Os benefícios do tablet não estão claros. Existe dúvida sobre sua utilidade prática e tem uma associação muito elitista. O fato é que o tablet não está resolvido na cabeça das pessoas”, completa Tietê.
O estudante Felipe Alves, de 20 anos, diz ter pouco conhecimento sobre a utilidade dos tablets, já em relação aos netbooks ele se considera um leigo. “A falta de acesso, principalmente em relação aos preços, creio que influencia na falta de interesse em relação aos consumidores”, supõe.

Nos dispositivos mais populares, o celular e a televisão, o estudo aponta que são os preferidos pela classe C, ou a nova classe média. “O celular é a mobilidade do dia a dia por excelência, por sua segurança, velocidade e economia. O SMS é a forma de comunicação mais utilizada por essa parcela da população. E, como a cultura da TV aberta no Brasil é muito grande, ela ainda é reconhecida como o dispositivo eletrônico de maior associação com o lazer”, aponta. No entanto, jovens brasileiros de 16 a 18 anos já não consideram a TV tão atraente. “Eles já almejam ter um conteúdo “on demand” (por demanda), que você consegue ter no PC hoje”, completa.

Algumas pessoas, que entram em contato com o abrupto avanço tecnológico desde cedo, afirmam realmente não obter mais atração por aparelhos como a TV. É o caso do estudante Gênesis Corrêa, de 20 anos, que diz não adotar mais a telinha como meio de acesso às informações, por exemplo. “Com o acesso à internet, eu posso buscar notícias relacionadas, exclusivamente, ao meu gosto, e o melhor: sem aquelas inevitáveis propagandas”, ironiza.

O lado negativo do celular e da TV levantado pela pesquisa é que são produtos que geram frustração com a evolução tecnológica. “Quando você vai comprar um novo modelo de telefone ou mesmo de televisor, logo é lançado uma mais novo, com mais recursos”, observa.


Formas de usar

A maneira como as pessoas passaram a utilizar a tecnologia também mudou. A internet, que outrora era utilizada principalmente para pesquisa, virou uma aliada no entretenimento e até na divulgação do trabalho.
Para o designer, Augusto Ceccopieri, de 22 anos, morador de São Paulo, a internet é uma ferramenta perfeita não somente para diversão. “Sou apegado à tecnologia desde a infância, comecei por diversão e hoje em dia se tornando uma ferramenta insubstituível para minha profissão” ressalta. Além de usar a internet para seu trabalho como designer, ele diz ser útil para divulgar seus projetos paralelos como roteirista independente de história em quadrinhos. “Eu também aproveitei para criar um site, onde divulgo meus roteiros através de webcomics – um meio de publicar histórias em quadrinhos voltadas exclusivamente para a internet” explica.

Já a estudante Nathália Sandiego, de 19 anos, diz que desde que ganhou um computador, há quatro anos, não consegue se desprender do então mundo digital. “Hoje em dia, é possível fazer praticamente tudo somente pelo computador, desde consultar o banco a mandar recados para as pessoas, por isso se torna altamente vicioso” observa. Apesar das qualidades que a tecnologia dispõe, ela diz que esse vício também tende a ter um revés, pois já chegou a passar dias sem sair de casa para ficar vidrada em frente ao computador. “Ao acordar, a primeira coisa que faço antes de escovar os dentes é ligar o PC” declara.


Saiba +

.Segundo os dados da Intel, o consumo per capita do Brasil é o mais atrativo para a indústria de PCs no mundo, e corresponde a 40% de todo o mercado da América Latina.

.O crescimento deste mercado no Brasil será maior do que 20% nos próximos dois anos, acima da média dos demais países emergentes.

.O Brasil tornou-se este ano o terceiro maior mercado de PCs, ultrapassando Japão e Alemanha. China lidera o topo, seguida pelos Estados Unidos.

O repórter viajou a convite da Intel Brasil

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