FOLHAPRESS
A Bolsa recua quase 2% nesta quinta-feira (7), em meio a pressão de balanços e da queda internacional dos preços de petróleo.
Por volta das 11h48, o Ibovespa, índice de referência do mercado acionário brasileiro, recuava 1,90%, a 184.106 pontos, com Bradesco e Petrobras liderando as quedas.
No mesmo horário, o dólar rondava a estabilidade, em alta de 0,02%, cotado a R$ 4,921. Na mínima do dia, a moeda norte-americana chegou a R$ 4,895, embalada pelo otimismo em relação à guerra no Irã.
O cenário internacional e a temporada de balanços pesam sobre a Bolsa. O desempenho da Petrobras acompanha os preços do petróleo, que recuam mais de 3,82% por volta das 11h, em meio à expectativa por um acordo na guerra do Oriente Médio.
No caso do banco, o balanço de 1º trimestre gerou pontos de atenção, apesar de registrar lucro de R$ 6,8 bi no período impulsionado pelo crédito.
“Vemos riscos decorrentes de um crescimento da carteira acima do mercado, maior exposição a segmentos massificados e crescimento acelerado em cartões de crédito e financiamento de veículos, que normalmente são produtos mais voláteis”, afirma o XP em relatório sobre os resultados do Bradesco.
Por volta das 11h, as ações preferenciais da Petrobras recuavam 3,93%, enquanto os do Bradesco tinham queda de 3,47%.
Ainda no pregão doméstico, analistas se atentam ao encontro entre Lula (PT) e o presidente norte-americano, Donald Trump, na Casa Branca. O encontro deve ocorrer por volta das 12h.
A reunião foi marcada após um telefonema de Trump ao presidente brasileiro no final de semana, no qual o americano sugeriu o encontro pessoal nesta semana.
No encontro, Lula tentará tratar de questões como a exploração de minerais críticos e o combate ao crime organizado.
Para Otávio Araújo, consultor sênior da Zero Markets Brasil, o evento pode gerar volatilidade ao abordar temas sensíveis. “O mercado tende a operar dividido entre o alívio externo e a cautela com a agenda doméstica, conforme monitora a reunião do Lula com o Trump”.
A possibilidade de um acordo entre EUA e Irã também está no radar dos investidores. Segundo um porta-voz do Paquistão, os dois países estão próximos de um acordo.
O pacto envolve três pontos: o fim formal da guerra, o desbloqueio no estreito de Hormuz e o lançamento de uma janela de 30 dias para negociações sobre um acordo mais amplo, segundo as pessoas ouvidas.
Na quarta, o presidente norte-americano Donald Trump afirmou que a guerra pode terminar se Teerã aceitar os termos apresentados. “Se eles não concordarem, os bombardeios começarão, e serão, infelizmente, em um nível e intensidade muito maiores do que antes”, acrescentou.
Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã confirmou que o país persa está analisando a proposta e que comunicará sua posição ao mediador, o Paquistão, segundo a agência estatal Isna. Já a Guarda Revolucionária afirmou que a passagem segura por Hormuz será garantida com o fim das ameaças dos EUA, na primeira reação à pausa das operações americanas.
A queda dos preços internacionais do petróleo leva investidores a buscarem ativos de maior risco, como mercados emergentes e ações.
Nos EUA, a Bolsa Nasdaq registra alta de 0,52%. O índice e o S&P 500 renovaram recordes de fechamento na quinta-feira passada (30), nesta terça (5) e quarta (6).
O conflito no Oriente Médio bloqueia o fluxo no estreito de Hormuz, via por onde passa cerca de 20% do abastecimento mundial de petróleo e gás. A paralisação tem gerado um temor de um repique inflacionário global por levar os preços de petróleo a dispararem.
“O principal gatilho vem do cenário internacional, após sinais de que Estados Unidos e Irã estariam próximos de um acordo para encerrar o conflito. Esse ambiente aumenta o apetite por risco nos mercados globais. No Brasil, o movimento beneficia principalmente ações ligadas a commodities”, diz Gustavo Trotta, sócio da Valor Investimento.
Nos últimos meses, o real e a Bolsa brasileira têm sido favorecidos pelo fluxo de investidores estrangeiros e pela distância do país em relação ao conflito.
O diferencial de juros do Brasil em relação, pricipalmente, aos EUA, impulsiona o interesse de pessoas de fora. Na quarta-feira passada, o Fed manteve a taxa de juros inalterada na faixa de 3,5% a 3,75%. No mesmo dia, o Copom anunciou um corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros, levando a Selic a 14,5% ao ano.
Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, vê uma combinação de dólar global mais fraco e fluxo favorável para ativos de risco favorecendo o Brasil. “Há uma percepção de descompressão no Irã, apesar de o cessar-fogo continuar frágil. Ao mesmo tempo, o mercado local ainda se beneficia do diferencial de juros”.
Zogbi faz menção ao carry trade. Na operação, investidores captam recursos em economias com juros mais baixos, como os Estados Unidos, e aplicam em ativos de países com taxas mais elevadas, como o Brasil, buscando ganhos com o diferencial de juros.