FOLHAPRESS
A Bolsa avança forte nesta segunda-feira (31), com investidores repercutindo a retomada dos ataques dos EUA ao Irã no Oriente Médio. A tensão impulsiona os preços do petróleo e favorece as ações de empresas do setor.
Por volta das 13h40, o Ibovespa, índice de referência do mercado acionário brasileiro, avançava 1,00%, a 177.455 pontos. Na máxima, chegou a subir 1,66%, a 178.585 pontos.
No mesmo horário, o dólar recuava 0,33%, a R$ 5,178, em movimento similar ao observado no exterior. O índice DXY, que mede o desempenho da moeda americana ante outras seis divisas fortes, também recuava, com baixa de 0,28%.
O pregão repercute a escalada das tensões no Oriente Médio. No domingo (30), os EUA atacaram dois lançadores iranianos na ilha de Larak, no estreito de Hormuz. Segundo o Centcom (Comando Central do Exército dos Estados Unidos), a ação foi “limitada e precisa” contra forças da Guarda Revolucionária que representavam uma ameaça ao estreito de Hormuz.
Foi o primeiro ataque conhecido dos EUA contra o Irã desde o fim de julho. Em resposta, a Guarda Revolucionária iraniana afirmou ter lançado mísseis balísticos contra duas bases aéreas americanas na Jordânia, alegando ter causado “graves danos”.
Os ataques impulsionam os preços do petróleo. Por volta das 13h40, o barril Brent, referência mundial da commodity, avançava 2,53%, a US$ 90,30.
A alta beneficia o bloco de empresas petrolíferas da Bolsa brasileira. No mesmo horário, as ações da Petrobras (preferenciais), Prio e PetroReconcavo subiam 2,22%, 2,26% e 1,22%, respectivamente.
“A retomada do conflito no Oriente Médio volta a pressionar o petróleo, o que, de certa forma, favorece o Ibovespa por conta do desempenho das empresas petrolíferas, que estão tendo uma abertura positiva.
Isso está contribuindo para a alta da Petrobras, que tem um peso bastante grande no índice”, diz Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos.
Para Bruno Cordeiro, analista de inteligência de mercado da StoneX, a retomada dos ataques também amplia os temores sobre possíveis impactos na infraestrutura de escoamento de petróleo do Irã.
“Analistas trabalham com um prêmio de risco mais elevado pelas incertezas sobre a retomada dos fluxos físicos de petróleo e derivados e pela retomada das ofensivas diretas entre Washington e Teerã. O cenário reduz significativamente as expectativas de avanço nas discussões diplomáticas entre os países”, diz.
A guerra no Oriente Médio também tem influenciado as decisões de política monetária ao redor do mundo. O tema é citado tanto pelo Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA) quanto pelo Banco Central do Brasil como fator de pressão para as decisões sobre juros das instituições.
O cenário eleitoral brasileiro também está no radar. A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg mostrou Lula com 47,1% das intenções de voto em um segundo turno da disputa presidencial, contra 42,6% de Flávio Bolsonaro uma diferença menor que a registrada em julho, quando os percentuais eram de 49,2% e 42,9%, respectivamente. A margem de erro é de 1 ponto percentual.
Na pesquisa BTG/Nexus desta segunda-feira (31), o presidente Lula (PT) tem 37%, e o senador Flávio Bolsonaro (PL), 31% eles tinham, respectivamente, 40% e 34% no último levantamento que considera a presença do candidato Pablo Marçal.
No cenário sem Marçal, Lula marca 39%, e Flávio, 33% eles tinham, respectivamente, 41% e 37% na última pesquisa. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.
“É outro ponto que investidores estão acompanhando, mostrando um estreitamento da diferença entre os principais candidatos, Lula e Flávio Bolsonaro, e favorecendo o apetite”, afirma Rodrigo Moliterno.
Analistas avaliam que Flávio Bolsonaro tem perfil mais alinhado à disciplina fiscal do que o atual presidente, Lula, mas a indefinição sobre a abordagem dos candidatos para a trajetória da dívida pública tem alimentado as expectativas de juros mais altos e pressionado a Bolsa e o real.
O dia ainda é marcado pela formação da Ptax, uma taxa de câmbio calculada pelo Banco Central que serve como referência para a liquidação de contratos futuros.
No fim de cada mês, agentes financeiros costumam tentar direcioná-la a níveis mais convenientes às suas posições, sejam elas compradas, no sentido de alta das cotações, ou vendidas em dólar, no sentido de baixa.