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Economia

BNDES visita usina afetada pelo rompimento da barragem de Fundão

Equipe do banco ouviu moradores de Rio Doce sobre impactos ambientais e gestão do Fundo Rio Doce.

Redação Jornal de Brasília

13/03/2026 16h01

Foto: Rangel/BNDES

Foto: Rangel/BNDES

Uma equipe do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) realizou, na última semana, uma visita técnica à Usina Hidrelétrica Risoleta Neves, conhecida como Usina de Candonga, em Rio Doce (MG), uma das estruturas diretamente impactadas pelo rompimento da barragem de Fundão em 2015. A agenda incluiu um encontro com moradores e representantes da comunidade local para ouvir preocupações relacionadas à situação ambiental da região.

O rompimento da barragem, ocorrido em 5 de novembro de 2015 no complexo minerário da Samarco em Mariana (MG), liberou grande volume de rejeitos que afetou dezenas de municípios em Minas Gerais e no Espírito Santo. Como parte do novo acordo de reparação firmado em 2024, foi criado o Fundo Rio Doce, gerido pelo BNDES, com aportes de R$ 49,1 bilhões da Samarco destinados a ações de reparação e compensação.

A visita, organizada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em conjunto com a assessoria técnica independente Rosa Fortini, teve como objetivo ampliar a presença do BNDES nos territórios atingidos, acompanhar a situação atual e apresentar o papel do banco no processo de reparação. “O objetivo é conhecer melhor a realidade das pessoas e da região, permitindo que o BNDES acumule conhecimento para contribuir com as ações de reparação voltadas à melhoria das condições de vida da população local”, afirmou Gustavo Andrade, gerente substituto no Departamento de Gestão Institucional do Fundo Rio Doce.

A Usina de Candonga, localizada entre Rio Doce e Santa Cruz do Escalvado (MG), teve suas comportas fechadas após o desastre, funcionando como área de decantação de sedimentos. Estima-se que cerca de 10 milhões de metros cúbicos de rejeitos se acumularam no lago, causando assoreamento e paralisação temporária das operações. Operações de dragagem removeram cerca de 900 mil metros cúbicos, transportados para áreas como a Fazenda Floresta, o que também foi inspecionado pela equipe do BNDES.

Durante o encontro no clube de Rio Doce, moradores expressaram temores sobre contaminação do solo e recursos hídricos pela disposição dos rejeitos na Fazenda Floresta, além de preocupações com o agravamento dos danos em períodos chuvosos. “A usina hidrelétrica é o local onde vai sendo retido o rejeito. Quanto mais tempo passa, mais rejeito se avoluma aqui na nossa região”, disse o engenheiro civil José Maurício Pereira da Silva, morador de Rio Doce. O evento antecede uma audiência pública pelo Ibama, prevista para o final do mês, para discutir o licenciamento ambiental da remoção dos rejeitos do reservatório.

“Quem mais sofre são as comunidades que estão abaixo do rio. Sou contrário à permanência desses rejeitos no lago de Candonga”, declarou José Marcio Lazarini, membro da comissão de atingidos do município de Rio Doce.

Historicamente, a remoção dos rejeitos e o desassoreamento da usina foram previstos no acordo de 2016 entre Samarco, Vale, BHP Billiton e o poder público, mas a dragagem não foi concluída. O novo acordo de 2024 revisou o processo, mantendo a responsabilidade da Samarco pela gestão dos rejeitos remanescentes, estimados em até 9,15 milhões de metros cúbicos no reservatório.

A gestão do Fundo Rio Doce segue as diretrizes do Comitê do Rio Doce, instituído pelo Decreto Federal 12.412/2025, sob coordenação da Casa Civil da Presidência da República. O BNDES participa das reuniões sem direito a voto, e as liberações de recursos ocorrem após aprovação do comitê. Desde junho de 2025, os repasses ultrapassaram R$ 2,1 bilhões, destinados a programas como transferência de renda para agricultores e pescadores, fortalecimento da assistência social, iniciativas na área da saúde, descontaminação de solos e contratação de assessorias técnicas.

Com informações do Governo Federal

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