ANDRÉ BORGES
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRES)
O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) pediu ao Ministério da Fazenda a liberação de maisa R$ 7,25 bilhões para reforçar as linhas de crédito criadas pelo governo federal para ajudar empresas afetadas pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos.
A Folha apurou que o pedido foi encaminhado à Secretaria do Tesouro Nacional, que é vinculada à Fazenda, na terça-feira (14). O banco estatal pede a transferência dos recursos para alimentar o FGE (Fundo de Garantia à Exportação), que financia o programa Brasil Soberano.
Segundo o diretor de planejamento e relações institucionais do BNDES, o ex-ministro Nelson Barbosa, a liberação é necessária diante da “demanda adicional prevista” pelas linhas de financiamento.
O Plano Brasil Soberano prevê até R$ 15 bilhões para apoiar empresas atingidas pelas tarifas dos Estados Unidos, além da guerra no Oriente Médio e setores da indústria que precisam de ajuda para equilibrar a balança comercial.
Em maio, o BNDES anunciou que acrescentaria R$ 6 bilhões de recursos próprios, elevando a capacidade total de financiamento do programa para R$ 21 bilhões. Neste momento, porém, os pedidos já protocolados de financiamento chegam ao total de R$ 18,4 bilhões.
Por isso, o banco de fomento pediu a antecipação da segunda tranche de R$ 7,25 bilhões já previstos no pacote. O Tesouro já tinha liberado cerca de R$ 7,75 bilhões.
Uma nova parcela de recursos já está em análise pelas equipes do Tesouro e do BNDES, que fazem as contas para saber o que ainda deve ser necessário para blindar os setores que foram afetados pelo tarifaço de 25% de Trump.
Como ocorre na etapa atual, o plano prevê tanto recursos do Tesouro quanto do banco estatal. Pelo modelo, o Tesouro transfere os valores ao BNDES, que, depois, usa esse dinheiro para conceder empréstimos às empresas que atendam aos critérios do programa.
Segundo apurou a reportagem, a maior parte das demandas tem vindo dos setores de alimentos, fármacos, fertilizantes, minerais críticos e máquinas e equipamentos.
A intenção do plano é evitar que companhias afetadas pelas novas barreiras comerciais americanas interrompam investimentos, reduzam produção ou enfrentem dificuldades de caixa em um momento de instabilidade no comércio internacional.
O dinheiro solicitado pelas empresas sai do FGE. Tradicionalmente, esse fundo serve para dar garantias financeiras a operações de crédito voltadas às exportações brasileiras, reduzindo o risco dessas operações para o governo.
Em março deste ano, porém, uma medida provisória publicada pelo governo passou a permitir que o FGE também financie as novas linhas de crédito do Plano Brasil Soberano, ampliando seu uso para apoiar empresas prejudicadas pelo tarifaço e a guerra no Oriente Médio.
O Plano Brasil Soberano foi criado após o presidente americano Donald Trump anunciar a elevação das tarifas de importação sobre produtos brasileiros. O programa permite que empresas exportadoras e seus fornecedores tenham acesso a financiamentos em condições mais baratas para manter investimento, capital de giro e produção durante o período de maior dificuldade.
Empresários e entidades do comércio exterior vinham alertando que o aumento das tarifas poderia provocar perda de competitividade, cancelamento de contratos e redução das exportações. O governo respondeu com um pacote de crédito para tentar reduzir esses impactos, apoiando a geração de capital de giro operacional, capital de giro para exportação, investimentos em expansão e aquisição de bens de capital.
Em seu pedido da segunda parcela do recurso, o BNDES afirma que leva em conta a “demanda adicional prevista para as referidas linhas de financiamento”. Antes desse pedido, o próprio BNDES já tinha sinalizado que tem havido uma procura crescente pelas linhas do Brasil Soberano.
Em maio, o banco anunciou que havia recebido cerca de R$ 5 bilhões em solicitações de crédito. Poucas semanas depois, informou que os pedidos já somavam R$ 8,5 bilhões.
A Folha questionou o BNDES e a Fazenda sobre o assunto, mas nenhum dos dois comentou o assunto.
O governo Lula (PT) anunciou nesta quinta-feira (16) que lançará um novo programa de apoio aos empresários afetados pela nova rodada de tarifas dos Estados Unidos.
Segundo as contas da gestão, o tarifaço anunciado na noite desta quarta (15) atinge 18% das exportações brasileiras ao país, ou cerca de US$ 7,4 bilhões, em dados de 2024.