NATHALIA GARCIA
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, reforçou nesta quarta-feira (13) o compromisso da autoridade monetária com o objetivo de controlar a inflação e a necessidade de vigilância para enfrentar os desafios provocados por choques de oferta sobre os preços.
“Conseguir separar o que é efetivamente um processo de choque de oferta, seja por questão do conflito geopolítico, seja por ter algum efeito climático, dos efeitos de segunda ordem que a gente precisa estar ainda mais vigilante do que estaria normalmente, dado que temos uma economia com expectativas desancoradas [distantes da meta], com mercado de trabalho apertado, não é uma abordagem simples”, afirmou.
“Mas o Banco Central vai seguir dando essa resposta, não vai se desviar daquilo que é seu objetivo, que é o controle do processo inflacionário”, complementou Galípolo durante a conferência anual do Banco Central, em Brasília.
Dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta terça-feira (12) mostraram que alimentos e gasolina seguiram pressionando a inflação oficial do Brasil, medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), em abril.
A situação é associada a restrições de oferta de alimentos nesta época do ano e a impactos da guerra no Irã, que elevou as cotações do petróleo.
No acumulado de 12 meses, a inflação acelerou a 4,39%, após marcar 4,14% na leitura anterior. O índice se aproximou do teto de 4,5% da meta de inflação perseguida de maneira contínua pelo BC. Economistas projetam variação próxima a 5% ao final deste ano.
O alvo central do BC é 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.
No atual modelo, de meta contínua, o objetivo é considerado descumprido quando a inflação acumulada permanece durante seis meses seguidos fora do intervalo, que vai de 1,5% (piso) a 4,5% (teto).
No último encontro, o Copom (Comitê de Política Monetária) disse ver impacto do conflito no Oriente Médio sobre a inflação e piora nas expectativas no longo prazo.
No cenário de referência do colegiado do BC, a estimativa de inflação para este ano saltou de 3,9% para 4,6% (acima do teto da meta). Para 2027 prazo na mira do BC devido aos efeitos defasados da política de juros sobre a economia, o comitê projetou o IPCA em 3,5%.
No evento, Galípolo também destacou que o debate sobre inflação chegou ao cotidiano das pessoas, provocando uma dissonância entre a percepção dos cidadãos sobre a economia e os números oficiais, o que coloca as autoridades monetárias em uma sitação delicada.
“[…] Os bancos centrais são desenhados para ter como objetivo uma meta de inflação e as pessoas convivem com um nível de preços, após quatro choques [em seis anos] isso vem produzindo uma dissonância que é bastante arriscada e que coloca os bancos centrais em uma posição difícil em como endereçar esses desafios”, disse.