O Banco Central elevou hoje sua projeção para o crescimento econômico deste ano dos 5,8% calculados há três meses para 7,3%, resultado que, caso se confirme, será o maior do país nos últimos 24 anos.
A nova previsão foi incluída no Relatório Trimestral de Inflação do banco divulgado nesta quarta-feira.
Se o Brasil crescer 7,3% este ano, como o BC prevê, será o melhor resultado desde 1986, quando o país cresceu 7,49%.
A nova projeção supera tanto a do Ministério do Planejamento (5,5%) como a dos economistas dos bancos privados (7,13%).
No entanto, a expansão contraria as expectativas do ministro da Fazenda, Guido Mantega que considera que um crescimento acima dos 6,5% este ano pode esgotar a capacidade instalada de produção da indústria, pressionar a inflação e agravar demandas por infraestrutura ainda não atendidas.
“A elevação da projeção está de acordo com os resultados divulgados no primeiro semestre deste ano e reflete a melhora generalizada dos indicadores de atividade, seja pela ótica da produção ou pela da demanda”, afirma o relatório.
Segundo os dados divulgados este mês pelo Governo, o Produto Interno Bruto (PIB) do país cresceu 9% no primeiro trimestre do ano em comparação com o mesmo período de 2009, sua maior expansão na história.
O PIB do primeiro trimestre cresceu 2,7% frente ao último trimestre de 2009, por isso os números indicam que o Brasil não só se recuperou da contração de 0,2% que sofreu ano passado devido a crise mundial mas, pelo menos até março, estava crescendo a um ritmo anualizado de 11,2%.
“O crescimento vigoroso registrado pelo PIB no primeiro trimestre do ano evidência a consolidação do atual ciclo de expansão da economia brasileira”, continua o relatório do BC.
Segundo o organismo, as “trajetórias favoráveis” do mercado de trabalho, da renda real, dos investimentos e dos indicadores de confiança de empresários e consumidores constituem “indicativos importantes” de que o atual ciclo da economia é sustentável a médio prazo.
No mesmo relatório, no entanto, o Banco Central subiu sua previsão para a inflação deste ano dos 5,2% calculados há três meses para 5,4%.
Essa projeção supera a meta que o Governo impôs para todo o ano, de 4,5%, com uma margem de tolerância de dois pontos percentuais.
O organismo alertou que, perante o aumento da inflação, “é recomendável a adoção de respostas adequadas e imediatas de política monetária” como o aumento da taxa de juros.
Este ano o BC já subiu os juros básicos de 8,75% para 10,25% anual.